A revisão da população residente em Portugal pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) vai confirmar que o nível de vida no país tem sido sobrestimado, alerta a Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP), citada pelo Jornal de Notícias.
Segundo a FEP, a atualização incluirá dados mais recentes da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) sobre estrangeiros com estatuto legal. A integração destes números permitirá perceber que a população real é maior do que aquela registada atualmente, o que indica que o rendimento per capita em Portugal tem sido apresentado de forma artificialmente elevada em comparação com a média da União Europeia.
O diretor da FEP, Óscar Afonso, afirma que o nível de vida em Portugal “terá estado abaixo de 80% da União Europeia nos anos mais recentes”. Para o responsável, esta correção estatística não é apenas um exercício contabilístico, mas sim um alerta para a situação económica do país.
Estrutura produtiva e desafios do mercado de trabalho
A FEP destaca que a economia portuguesa mantém uma “estrutura produtiva de baixo valor acrescentado”, com forte dependência de setores de baixa produtividade, como o turismo. A instituição pede que a integração dos dados da AIMA nas estatísticas oficiais seja acelerada, de forma a apoiar decisões económicas mais precisas e credíveis.
Além disso, as empresas enfrentam dificuldades crescentes na contratação de mão de obra, situação que se deve, em parte, à mudança na política de imigração, que passou de demasiado permissiva para demasiado restritiva. Em outubro de 2025, a AIMA registava cerca de 1,5 milhões de imigrantes com estatuto legal, representando 24% da força de trabalho ativa em Portugal, segundo o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.
A atualização da população residente permitirá, assim, ajustar o quadro económico e social do país, corrigindo uma discrepância que até agora sobrestimava o padrão de vida português em comparação com o resto da União Europeia.














