Netanyahu vai hoje a Washington pressionar Trump a endurecer sanções contra o Irão

Segundo Netanyahu, a reunião servirá para transmitir à administração americana a posição de Israel sobre os termos de qualquer eventual negociação com a República Islâmica, sublinhando que um acordo não pode limitar-se à questão nuclear

Francisco Laranjeira
Fevereiro 11, 2026
7:30

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, desloca-se esta quarta-feira a Washington para se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o objetivo de pressionar a Casa Branca a endurecer a política de sanções contra o Irão, num momento em que Washington e Teerão retomaram conversações indiretas sobre o programa nuclear iraniano.

Segundo Netanyahu, a reunião servirá para transmitir à administração americana a posição de Israel sobre os termos de qualquer eventual negociação com a República Islâmica, sublinhando que um acordo não pode limitar-se à questão nuclear. O chefe do Governo israelita defende que qualquer entendimento deve incluir restrições ao programa de mísseis balísticos e o fim do apoio iraniano a grupos armados hostis a Israel na região.

A visita ocorre poucos dias depois de representantes dos Estados Unidos e do Irão terem mantido conversações indiretas em Omã, que, segundo responsáveis envolvidos, revelaram dificuldades em ultrapassar divergências de fundo. Teerão insiste que apenas está disposto a discutir o seu programa nuclear, enquanto Washington procura um acordo mais abrangente.

A administração Trump considerou as conversações “positivas” e indicou que novos contactos deverão ter lugar nos próximos dias, numa fase inicial conduzida pelo enviado especial para o Médio Oriente, Steve Witkoff. Ainda assim, o presidente americano voltou a admitir publicamente o recurso à força caso o Irão não aceite limites mais amplos.

Israel vê com desconfiança o reatamento do diálogo e receia um levantamento gradual das sanções que permita a Teerão reforçar capacidades militares e influência regional. Netanyahu tem insistido que o reforço da pressão económica é essencial para impedir o Irão de reconstruir o seu programa nuclear e expandir o chamado “eixo de resistência”, que inclui o Hamas, o Hezbollah e os rebeldes Houthis no Iémen.

A deslocação a Washington acontece também num contexto de forte presença militar americana no Golfo Pérsico, com navios de guerra destacados para a região, numa estratégia de dissuasão paralela ao processo diplomático.

As tensões entre Israel e o Irão agravaram-se nos últimos dois anos, depois de ataques diretos com mísseis em 2024 e de uma guerra aberta de 12 dias em junho de 2025, durante a qual Israel atacou alvos militares e nucleares iranianos, com os Estados Unidos a juntarem-se à ofensiva e a bombardearem três instalações nucleares.

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, reiterou entretanto que o programa de mísseis do país “não é negociável” e advertiu que qualquer novo ataque ao território iraniano terá resposta contra interesses norte-americanos na região.

A reunião entre Netanyahu e Trump será o sétimo encontro entre os dois líderes desde o regresso de Trump à Casa Branca, num momento em que Israel procura garantir que os Estados Unidos não flexibilizam a pressão sobre Teerão em troca de avanços diplomáticos limitados.

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