Nem os de Trump escapam: ICE deporta por engano ex-funcionário dos clubes de golfe do presidente americano

De acordo com o ‘The New York Times’, Juarez foi detido a 15 de setembro, depois de comparecer voluntariamente a uma entrevista de rotina com o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), em Manhattan

Francisco Laranjeira
Outubro 31, 2025
18:25

Um ex-funcionário de um dos clubes de golfe de Donald Trump foi deportado por engano pelos serviços de imigração (ICE) dos Estados Unidos e obrigado a atravessar a fronteira para o México a pé. Alejandro Juarez, de 39 anos, trabalhava há mais de uma década no Trump National Golf Club, em Nova Iorque, antes de ser despedido durante o primeiro mandato do ex-presidente, juntamente com outros imigrantes em situação irregular.

De acordo com o ‘The New York Times’, Juarez foi detido a 15 de setembro, depois de comparecer voluntariamente a uma entrevista de rotina com o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), em Manhattan — algo que já tinha feito várias vezes. Quatro dias depois, foi colocado num avião com destino ao Texas, quando deveria ter sido transferido para um centro de detenção no Arizona. Ao chegar, recebeu um saco com os seus pertences e foi instruído a atravessar a fronteira para o México a pé.

Deportação sem direito a defesa

O ex-funcionário afirmou que não lhe foi dada a oportunidade de contestar a deportação perante um juiz de imigração, um direito garantido por lei. O seu advogado, Anibal Romero, classificou o caso como um “erro descuidado” e disse à ‘CNN’ que o incidente reflete o caos dentro do sistema de deportações, sobrecarregado pelas metas de detenções impostas durante o governo Trump.

Segundo o ‘The New York Times’, Juarez tinha chamado a atenção do ICE por causa de uma infração de trânsito em 2022. Apesar disso, continuou a colaborar com as autoridades, recebendo inclusive elogios pela sua conduta e domínio do inglês.

Autoridades admitem falha e prometem reparação

O Departamento de Segurança Interna (DHS) reconheceu o erro e confirmou estar a trabalhar para trazer Juarez de volta aos Estados Unidos. A porta-voz do DHS, Tricia McLaughlin, garantiu que o ICE contactou o advogado do ex-funcionário e que “as providências para o seu retorno estão em curso”. Juarez continuará sob custódia até que o caso seja resolvido.

Casos semelhantes têm ocorrido com frequência crescente, incluindo o de Kilmar Abrego Garcia, deportado por engano para El Salvador em março. Nesse caso, a decisão foi revertida pelos tribunais, mas o imigrante acabou acusado de tráfico humano após regressar aos EUA.

O advogado de Juarez acredita que, por ter um filho a servir nas forças armadas, o seu cliente poderá beneficiar de um estatuto especial de “liberdade condicional no local”, reservado a familiares imediatos de militares norte-americanos.

Segundo o ‘The New York Times’, o incidente reforça as críticas às políticas de deportação em massa e à falta de controlo interno nos serviços de imigração — um tema que volta a ganhar destaque no contexto político norte-americano.

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