O primeiro-ministro da Polónia, Donald Tusk, deixou um alerta grave sobre o futuro da Europa esta segunda-feira, avisando que o continente estará “acabado” sem união, isto na sequência de uma semana marcada por divergências nas posições dos países da UE em relação à política externa.
Numa publicação nas redes sociais, Tusk, um centrista pró-europeu, alertou que a Europa não será levada “a sério” se estiver “fraca e dividida: nem inimiga nem aliada”.
“Agora já está claro. Precisamos finalmente acreditar na nossa própria força, precisamos continuar a armar-nos, precisamos permanecer unidos como nunca antes”, disse. “Um por todos e todos por um. Caso contrário, estamos perdidos.”
No-one will take seriously a weak and divided Europe: neither enemy nor ally. It is already clear now. We must finally believe in our own strength, we must continue to arm ourselves, we must stay united like never before. One for all, and all for one. Otherwise, we are finished.
— Donald Tusk (@donaldtusk) January 5, 2026
O alerta de Tusk surgiu depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, ter renovado as suas ameaças de assumir o controlo da Gronelândia, o território autónomo dinamarquês que há muito está na agenda do presidente americano. “Precisamos da Gronelândia por questões de segurança nacional”, disse o líder americano este domingo.
“Vamos tratar da Gronelândia daqui a uns dois meses. Vamos falar sobre a Gronelândia daqui a 20 dias”, acrescentou, sem dar mais informações sobre o que queria dizer.
Essas declarações surgiram após os EUA lançarem ataques contra a Venezuela e prenderem o seu líder, Nicolás Maduro, numa ousada operação noturna. A dramática operação aumentou os receios na Europa de que Washington pudesse tentar uma tomada de controlo da Gronelândia, levando a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, a emitir uma severa repreensão.
A resposta da UE à intervenção dos EUA na Venezuela tem sido um tanto variada. Kaja Kallas apelou à “moderação” numa declaração que obteve o apoio de 26 países membros, com exceção da Hungria.
A Espanha, por sua vez, rompeu com a UE e juntou-se a cinco países latino-americanos numa declaração muito mais contundente, criticando o ataque de Washington à soberania da Venezuela e pedindo que os recursos naturais do país não sejam explorados.
Embora a maioria dos países membros da UE tenha emitido declarações cautelosas, instando ao respeito pelo direito internacional, a Itália adotou um tom mais favorável, considerando a ação militar “legítima contra ataques híbridos de segurança”.
Mas o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, foi implacável, afirmando que a incursão dos EUA na Venezuela era “mais uma prova do colapso da ordem mundial”, e numa publicação no ‘Facebook’ esta segunda-feira, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, disse que “a ordem mundial liberal está em desintegração”.













