As negociações entre a Ucrânia e a Rússia deverão ser retomadas hoje, segundo anunciou o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. O chefe de Estado apelou aos aliados internacionais para manterem a pressão sobre Moscovo, de forma a pôr fim a uma guerra que se prolonga há quase quatro anos.
Na sua intervenção, Zelensky revelou que durante o último fim de semana, em Abu Dhabi, os negociadores das duas partes discutiram medidas para cessar os confrontos e monitorizar o processo de paz. O Presidente ucraniano sublinhou que seria positivo se as conversações pudessem recomeçar antes do domingo, reforçando a urgência em manter o ritmo das negociações.
“O objetivo é claro: encurtar o caminho para o fim da guerra e garantir mecanismos de supervisão eficazes das medidas acordadas”, disse Zelensky, apelando ainda aos parceiros da Ucrânia para não enfraquecerem a pressão diplomática sobre Moscovo.
No mesmo dia, o Kremlin reiterou que a questão territorial continua a ser central para a Rússia. Após as negociações trilaterais em Abu Dhabi, a agência estatal russa TASS transmitiu que o Presidente Vladimir Putin pretende manter o controlo total da região ucraniana de Donbas, atualmente sob domínio russo em cerca de 90%, caso Kiev não aceite ceder o território como parte de um eventual acordo de paz.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, citado pela TASS, afirmou: “Não é segredo que esta é a nossa posição consistente, a posição do nosso Presidente, de que a questão territorial, que faz parte da fórmula de ‘Anchorage’, é de importância fundamental para o lado russo”.
As conversações deste fim de semana marcaram uma nova etapa no diálogo trilateral, envolvendo representantes da Ucrânia, Rússia e intermediários internacionais em Abu Dhabi. Os líderes discutiram mecanismos de monitorização e medidas concretas para avançar no cessar-fogo e na eventual construção de um acordo mais amplo.
Para a Ucrânia, o desafio mantém-se em equilibrar a pressão internacional sobre Moscovo com a necessidade de defender a integridade territorial, enquanto a Rússia mantém uma postura firme sobre Donbas, região estratégica economicamente e simbolicamente significativa para os seus objetivos militares.














