“Não podemos fazer como Espanha ou Portugal”: Governo francês em risco ameaça com o FMI

O primeiro-ministro francês, François Bayrou, anunciou que vai submeter o seu Governo a um voto de confiança no próximo dia 8 de setembro, no parlamento, em torno da proposta de Orçamento do Estado para 2026. O plano, que prevê cortes de 44 mil milhões de euros, desencadeou contestação generalizada e pode precipitar uma crise política em França.

Pedro Gonçalves
Agosto 26, 2025
12:32

O primeiro-ministro francês, François Bayrou, anunciou que vai submeter o seu Governo a um voto de confiança no próximo dia 8 de setembro, no parlamento, em torno da proposta de Orçamento do Estado para 2026. O plano, que prevê cortes de 44 mil milhões de euros, desencadeou contestação generalizada e pode precipitar uma crise política em França.

A tensão agravou-se esta terça-feira com o aviso do ministro das Finanças, Éric Lombard, que em declarações à rádio France Inter alertou para o risco de uma intervenção internacional caso o Governo caia. “É um risco que não queremos; não podemos fazer como Espanha ou Portugal. É um risco que o FMI intervenha, se a situação financeira se deteriorar. Queremos e devemos evitar, mas não vou dizer que é um risco que não existe”, afirmou.

A referência direta a Portugal e Espanha foi lida como um aviso claro à oposição: a instabilidade poderá abrir caminho a uma intervenção do Fundo Monetário Internacional, cenário que as autoridades francesas querem evitar a todo o custo.

Bayrou, que está em funções há apenas nove meses, justificou a decisão de avançar com a moção de confiança explicando que é preciso “um esclarecimento sobre a situação orçamental” no parlamento e não “na desordem das ruas”. “Se tivermos uma maioria, o Governo é confirmado. Se não tivermos, o Governo cai”, resumiu.

O plano orçamental que desencadeou a crise prevê congelamento de algumas prestações sociais, cortes em programas sociais e até a abolição de dois feriados nacionais, medida considerada das mais polémicas. Segundo Bayrou, a moção servirá para “consagrar a dimensão do esforço” de 44 mil milhões de euros e só depois serão discutidas “cada uma das medidas deste plano de emergência”.

A oposição já anunciou que vai tentar derrubar o executivo. A França Insubmissa (LFI) e o Partido Comunista Francês (PCF) confirmaram o voto contra, enquanto a União Nacional, de extrema-direita, também se posicionou contra a confiança, com o seu presidente, Jordan Bardella, a prever “o fim do Governo”.

O objetivo de Bayrou é reduzir um défice que atingiu 5,8% do PIB em 2024. O Governo prevê 5,4% em 2025, descida para 4,6% em 2026 e atingir 2,8% em 2029, ficando abaixo do limite de 3% imposto pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento da União Europeia.

Apesar do risco político, Bayrou insiste que adiar decisões seria ainda mais perigoso: “o risco é a condição para que os franceses tomem consciência” da gravidade da situação.

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