Não é o petróleo, gasolina ou diesel: saiba qual é o produto da Rússia que mais sofre com as sanções ocidentais

Receio dos compradores, que têm medo de infringir as sanções, estão a complicar as contas russas, o que tem levado as empresas da Rússia a redobrar esforços para tentar colocar os seus produtos no mercado através de práticas obscuras

Francisco Laranjeira
Abril 12, 2023
12:58

A Rússia tem procurado alternativas para vender um derivado de petróleo muito menos conhecido do que a gasolina ou diesel mas que tem relevância, sobretudo na indústria de plásticos: a nafta.

O receio dos compradores, que têm medo de infringir as sanções, estão a complicar as contas russas, o que tem levado as empresas da Rússia a redobrar esforços para tentar colocar os seus produtos no mercado através de práticas obscuras. Segundo a agência ‘Bloomberg’, com o petróleo, gasóleo ou gasolina não têm suscitado tantos problemas devido às fortes compras da China, Índia e países aliados.

No entanto, os vendedores de nafta russa, usado principalmente para fabricar plásticos e petroquímicos, enfrentaram mais obstáculos para colocar o produto no mercado depois da entrada em vigor, no início de fevereiro último, de sanções mais duras.

“Não há uma saída clara e dedicada para a nafta russa agora que os seus principais compradores – Coreia do Sul e Europa – não a podem comprar diretamente”, frisou Armaan Ashraf, chefe da consultora industrial FGE, em Singapura. “Colocar nafta russa pode ser mais difícil do que o seu petróleo bruto.”

A falta de compradores exacerbou o problema para a Rússia: a China e a Índia têm comprado um pouco mais de nafta mas ambos têm ampla oferta doméstica. Já a Coreia do Sul, um importante consumidor no pré-guerra, tem evitado as importações diretas após as sanções.

Os volumes de nafta carregados da Rússia para Singapura quase quadruplicaram, até cerca de 164 mil toneladas em março em comparação com o ano anterior, segundo a Kpler. As cargas com destino aos Emirados Árabes Unidos passaram de zero para 156 mil toneladas.

Segundo Ciaran Tyler, analista sénior de commodities da empresa de inteligência de dados Kpler, de Londres, há cada vez mais carregamentos de nafta russa ‘marcados’ com destinos desconhecidos, o que pode indicar uma tentativa de ocultar a sua origem. Antes das sanções, praticamente não havia remessas não destinadas mas recentemente dispararam para quase um quarto de todas as exportações em março, segundo dados da Kpler.

Uma fórmula chave para colocar muitos dos produtos de Moscovo tem sido a redocumentação, ou seja, uma mistura com combustíveis não russos em centros petrolíferos como Singapura e Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos. Essa prática ganhou intensidade após a guerra e não deu sinais de diminuir depois da aprovação das sanções.

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