Não é em Londres nem Paris, ou sequer Nova Iorque: onde fica o maior metro do mundo?

Inaugurado a 1 de outubro de 1969, o metro de Pequim começou como um projeto simbólico e evoluiu para um verdadeiro “ecossistema com vida própria”

Pedro Gonçalves
Dezembro 27, 2025
11:00

Nem o histórico metro de Londres nem o lendário de Nova Iorque conseguem igualar a dimensão do gigante subterrâneo de Pequim. O sistema de metro da capital chinesa é hoje o mais extenso do mundo, com 807 quilómetros de linhas e 24 rotas ativas, uma rede colossal que continua a expandir-se para acompanhar o crescimento de uma cidade onde vivem mais de 22 milhões de pessoas.

Inaugurado a 1 de outubro de 1969, o metro de Pequim começou como um projeto simbólico e evoluiu para um verdadeiro “ecossistema com vida própria”. Atualmente, transporta mais de 8,5 milhões de passageiros por dia, tornando-se um dos pilares da mobilidade urbana na metrópole chinesa. A sua expansão foi especialmente acelerada após o ano 2000, coincidindo com o desenvolvimento económico da capital e com os Jogos Olímpicos de 2008, evento que impulsionou a modernização e o alargamento do sistema.

As autoridades locais têm planos ambiciosos para a próxima década: “Antes de que termine esta década, a rede alcançará os 1.000 quilómetros de vias”, indica o plano de desenvolvimento urbano, o que reforçará ainda mais o estatuto da capital como referência mundial em transporte público. Apesar disso, as aglomerações continuam a ser inevitáveis, reflexo do volume diário de passageiros que o metro de Pequim absorve.

Mas Pequim não é a única cidade chinesa na corrida pelo título de maior rede subterrânea do mundo. Xangai segue-lhe de perto os passos, com 802 quilómetros de extensão e 506 estações em funcionamento. Inaugurado em 1993, o metro de Xangai é conhecido pela sua tecnologia avançada e pelo crescimento constante. Os habitantes locais costumam brincar com a ideia de que “se não chegas de metro em Xangai, é porque esse sítio ainda não existe”.

Fora da China, os sistemas de metro históricos continuam a ser símbolos culturais e turísticos, mas já não detêm o domínio em dimensão. O de Londres, inaugurado em 1863, foi o primeiro do mundo e mantém-se como um ícone britânico, com os seus 408 quilómetros de linhas e o emblemático aviso “Mind the gap” que se tornou parte da identidade urbana da cidade. O de Nova Iorque, por sua vez, oferece uma experiência completamente distinta: com mais de 1.000 quilómetros de vias e quase 500 paragens, é conhecido pelo seu ambiente caótico, pelos comboios express e pelas estações que parecem saídas de um filme de Martin Scorsese.

Na China, outras cidades também se destacam pela dimensão das suas redes subterrâneas. O metro de Cantão (Guangzhou) soma atualmente 621 quilómetros e 16 linhas, com planos de atingir os mil quilómetros até 2028. Nanjing (427 km), Wuhan (339 km) e Seul (335 km) integram o grupo das maiores redes do continente asiático. Sobre a capital sul-coreana, alguns utilizadores ironizam que “o metro de Seul é tão eficiente que parece desenhado por uma inteligência artificial com pontualidade suíça”.

Na Europa, os metros históricos continuam a ser referências de design e funcionalidade, ainda que em menor escala. O de Paris, inaugurado em 1900 e conhecido pelo seu estilo art nouveau, cobre 228 quilómetros e garante que quase nenhum parisiense vive a mais de 500 metros de uma estação. O de Madrid, fundado em 1919 por ordem de Alfonso XIII e inicialmente composto por comboios de segunda mão vindos de Paris, conta hoje com 293 quilómetros e 301 estações. Já o de Moscovo mantém o seu estatuto de “palácio subterrâneo”, com 380 quilómetros e 14 linhas adornadas por candelabros e murais de inspiração soviética.

Para quem se queixa das demoras no transporte urbano, há uma lição vinda do Oriente: em Pequim, muitos passageiros precisam de mais tempo para mudar de linha do que para ver um episódio inteiro da sua série favorita — e, muitas vezes, sem Wi-Fi.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.