Europa “não está a ir na direção correta”: discurso de Trump visa líderes “amigos e inimigos” em Davos

Dirigindo-se ao público como “amigos e alguns inimigos”, expressão usada pelo próprio, Trump aproveitou ainda a intervenção para reivindicar um bom momento da economia americana

Francisco Laranjeira
Janeiro 21, 2026
14:01

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou esta quarta-feira a Europa durante o seu discurso no Fórum Económico Mundial, em Davos, afirmando que o continente “não está a ir na direção correta” e que “muitos lugares na Europa estão irreconhecíveis”, numa referência direta à chegada de imigrantes. “Eu amo a Europa, quero vê-la prosperar, mas ela não está a ir na direção certa”, criticou.

“Não quero ofender ninguém”, indicou Trump, acrescentando que amigos voltam de lugares na Europa e lhe dizem que não reconhecem o local – mencionou também a “migração em massa descontrolada” e déficits orçamentários e comerciais recordes. “Partes do nosso mundo estão a serem destruídas diante dos nossos olhos e os líderes não estão a fazer nada a respeito”, diz Trump.

O presidente americano não esqueceu a Gronelândia em Davos. “Ia deixar isso de fora do discurso, mas acho que teria recebido críticas muito negativas”, começou Trump, salientando que tem “enorme respeito” pelos povos da Gronelândia e Dinamarca. A Gronelândia, garantiu, é “um vasto território quase desabitado e subdesenvolvido, indefeso”. “Não existem materiais de terras raras na Gronelândia. O que importa é a sua segurança estratégica nacional e internacional”, assegurou. “Estou à procura de negociações imediatas para adquirir a Gronelândia”, frisou.

“Só os Estados Unidos podem defender este pedaço gigante de gelo”, acrescentou, considerando-o de “um interesse fundamental de segurança nacional” e dizendo que os EUA tentam adquirir a Gronelândia há “dois séculos”. Trump avançou também que os EUA anexariam a Gronelândia porque ela está “desprotegida, numa localização estratégica chave entre os Estados Unidos, a Rússia e a China”.

Donald Trump afirma que não fará o que muitos líderes mundiais temem: usar a força para obter a Gronelândia. “Provavelmente não conseguiremos nada a menos que eu decida usar força excessiva, algo que nos tornaria, francamente, imparáveis”, disse. “Mas eu não farei isso. Essa é provavelmente a declaração mais importante, porque as pessoas pensavam que usaria a força. Eu não preciso usar a força. Eu não quero usar a força. Eu não usarei a força. Tudo o que os Estados Unidos estão a pedir é um lugar chamado Gronelândia.”

Dirigindo-se ao público como “amigos e alguns inimigos”, expressão usada pelo próprio, Trump aproveitou ainda a intervenção para reivindicar um bom momento da economia americana. “As pessoas estão felizes comigo”, afirmou o presidente dos Estados Unidos, sem adiantar dados adicionais.

Trump afirmou também que num ano reduziu o déficit comercial mensal dos EUA em 77% sem inflação – algo que, segundo o próprio, todos diziam ser impossível, lembrando que os EUA têm centrais siderúrgicas a serem construídas em todo o país e que firmaram acordos comerciais históricos com parceiros, que representam 40% de todo o comércio americano: isso inclui acordos comerciais com países da Europa, Japão e Coreia do Sul, especialmente nas áreas de petróleo e gás.

Trump sustentou que esses acordos aumentaram a riqueza e impulsionaram os mercados de ações, não apenas nos EUA, mas também em outros países que participaram desses acordos. “Quando os EUA sobem, você acompanha”, acrescentou.

As declarações surgem num contexto de crescente tensão entre Washington e várias capitais europeias, motivada pela intenção manifestada por Trump de anexar a Gronelândia, território autónomo sob soberania da Dinamarca. A posição do presidente americano tem provocado reações críticas por parte de líderes europeus, que prometem uma “resposta firme” às investidas sobre território europeu.

O discurso em Davos decorreu depois de um atraso na deslocação presidencial, causado por um problema elétrico no ‘Air Force One’ durante a madrugada. Trump chegou à estância suíça na manhã desta quarta-feira para uma intervenção que já era antecipada como politicamente sensível, num momento de relações transatlânticas particularmente tensas.

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