Mudança da hora: quanto se poupa na fatura da luz? Como é que afeta as finanças familiares?

Todos os anos, quando os ponteiros do relógio são adiantados ou atrasados por decisão política, regressa o debate sobre a real utilidade da mudança de hora

Francisco Laranjeira
Outubro 21, 2025
18:56

Todos os anos, quando os ponteiros do relógio são adiantados ou atrasados por decisão política, regressa o debate sobre a real utilidade da mudança de hora. Criada para poupar energia e otimizar a luz natural, a prática é cada vez mais contestada. A Comissão Europeia, no entanto, rejeita abolir a alteração sazonal, argumentando que não existe consenso entre os Estados-membros sobre qual horário deveria prevalecer.

De acordo com dados históricos, a mudança de hora chegou a representar uma poupança significativa no consumo elétrico. Em 2015, um estudo do Instituto de Diversificação e Poupança Energética (IDAE) estimava que o ajuste horário poderia reduzir até 5% da eletricidade consumida anualmente — cerca de 300 milhões de euros. Desse total, € 90 milhões corresponderiam à economia para as residências (aproximadamente € 6 cada), e os € 210 milhões restantes seriam economizados em edifícios industriais e de serviços.

Contudo, especialistas sublinham que essa realidade ficou ultrapassada. A eficiência energética, a evolução tecnológica e as novas formas de consumo tornaram o impacto praticamente nulo.

Segundo um estudo recente da London School of Economics, conduzido pelo economista Joan Costa-Font, “a economia associada à mudança de hora desapareceu”. O investigador defende que, com a generalização de equipamentos elétricos e sistemas de climatização usados ao longo de todo o dia, o padrão de consumo deixou de depender da luminosidade natural. “Hoje, o uso de energia é contínuo, e o horário de verão pode até aumentar os custos devido ao maior recurso ao ar condicionado”, afirma.

Apesar das dúvidas quanto aos benefícios energéticos, o fim da mudança de hora divide a União Europeia. Países do norte, onde o inverno traz dias mais curtos, preferem manter o horário de inverno, mais alinhado com o ritmo solar. Já os países do sul, com maior exposição solar, tendem a defender o horário de verão, que prolonga a luz ao final do dia e favorece setores como o turismo e a restauração.

A Comissão Europeia admite que a decisão final poderá demorar. O principal obstáculo é a falta de uniformidade entre Estados-membros, o que poderia fragmentar o mercado interno e criar confusão nos transportes e nas telecomunicações. Assim, a mudança da hora mantém-se — mesmo que a sua utilidade energética pareça, cada vez mais, coisa do passado.

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