Montenegro e Marcelo reúnem-se hoje para avaliar impacto do mau tempo: o que está em causa?

Luís Montenegro anunciou o encontro após ter sido recebido por Marcelo Rebelo de Sousa na passada terça-feira

Executive Digest
Fevereiro 5, 2026
6:45

O primeiro-ministro e o Presidente da República vão reunir-se esta quinta-feira no Palácio de Belém para avaliar a evolução da situação meteorológica e os seus impactos no país, numa altura em que o Governo admite que os próximos dias colocam “grandes desafios”, sobretudo ao nível do risco de cheias e inundações.

Luís Montenegro anunciou o encontro após ter sido recebido por Marcelo Rebelo de Sousa na passada terça-feira, sublinhando que Portugal atravessa uma semana particularmente exigente do ponto de vista climatérico. Segundo o chefe do Governo, a reunião servirá para fazer um ponto de situação atualizado sobre as ocorrências registadas e para antecipar cenários para os dias seguintes, com especial atenção ao fim de semana.

O primeiro-ministro salientou que hoje se perspetiva como um dia difícil, tanto pela continuação da precipitação como pelos efeitos acumulados do mau tempo, explicando que o objetivo do encontro é avaliar as incidências concretas registadas até essa data e preparar uma resposta ajustada para os dias seguintes, incluindo o domingo, que também é apontado como um período de risco elevado.

Marcelo pede respostas rápidas e foco nas populações

A reunião ocorre num contexto de forte pressão sobre os serviços públicos e as populações mais afetadas pelas tempestades dos últimos dias. Esta quarta-feira de manhã, Marcelo Rebelo de Sousa deslocou-se ao distrito de Leiria, uma das zonas mais atingidas, onde defendeu que a prioridade deve ser a resposta concreta às necessidades das pessoas, relativizando polémicas políticas em torno da atuação governativa.

Questionado sobre eventuais responsabilidades políticas na gestão da crise, o Presidente da República afirmou que, neste momento, o essencial é garantir o restabelecimento de serviços básicos como água, eletricidade, telecomunicações e acessibilidades, bem como assegurar que os apoios financeiros chegam rapidamente às populações. Ainda assim, reconheceu que a comunicação pública envolve sempre responsabilidades políticas, admitindo que, em contextos de crise, nem sempre existe toda a informação disponível no momento das declarações.

Marcelo manifestou apoio à atuação do Governo, considerando que a resposta inicial foi adequada, nomeadamente a deslocação do primeiro-ministro à Proteção Civil e a posterior ida ao terreno quando se percebeu a dimensão dos impactos. O chefe de Estado reconheceu, no entanto, que a identificação inicial dos concelhos mais afetados foi limitada, embora tenha valorizado a correção posterior com o alargamento das medidas adotadas.

Situação de calamidade e impactos no terreno

Desde a semana passada, o mau tempo provocou dez mortos, cinco dos quais diretamente associados à passagem da depressão Kristin. Registaram-se ainda outros óbitos relacionados com quedas durante reparações de telhados e casos de intoxicação provocados por geradores. O temporal causou a destruição total ou parcial de habitações, empresas e equipamentos, quedas de árvores e estruturas, cortes e condicionamentos de estradas e linhas ferroviárias, encerramento de escolas e falhas nos serviços de energia, água e comunicações, além de centenas de feridos e desalojados.

Leiria, Coimbra e Santarém estão entre os distritos com maiores prejuízos. Perante este cenário, o Governo decretou a situação de calamidade até ao próximo domingo em dezenas de concelhos e anunciou um pacote de apoios que pode ascender a 2,5 mil milhões de euros, destinado à reposição de infraestruturas, apoio às famílias e recuperação da atividade económica.

Marcelo Rebelo de Sousa alertou ainda para as dificuldades na execução prática das decisões políticas, sublinhando que a eficácia das medidas depende da articulação com os municípios, responsáveis pelo levantamento das necessidades no terreno e pela ligação às freguesias. A reunião desta quinta-feira entre Belém e São Bento surge, assim, como um momento-chave para alinhar respostas institucionais numa fase ainda crítica da situação.

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