A Alemanha acusou hoje o presidente russo, Vladimir Putin, de demonstrar “desprezo pela humanidade” com os bombardeamentos realizados durante a noite passada contra a Ucrânia, incluindo Kiev, onde morreram seis pessoas.
Putin “procura tornar o inverno o mais insuportável possível para a Ucrânia, destruir o moral e quebrar a vontade de resistência das ucranianas e dos ucranianos”, afirmou o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius.
“Mas não está a conseguir”, disse Pistorius durante uma conferência de imprensa com os homólogos dos principais países europeus que apoiam Kyiv, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Pistorius disse ainda que os bombardeamentos russos “violam amplamente o direito internacional”.
As autoridades ucranianas disseram que a Rússia lançou 430 drones e 19 mísseis de diferentes tipos contra o conjunto da Ucrânia durante a noite.
As defesas aéreas ucranianas conseguiram neutralizar 405 drones e 19 mísseis, segundo um relatório militar citado pela agência de notícias espanhola EFE.
A melhoria na eficácia das defesas aéreas foi destacada pelo Presidente Volodymyr Zelensky numa das mensagens que dedicou ao ataque hoje de manhã, em particular o papel dos sistemas de mísseis norte-americanos Patriot.
A Ucrânia recebeu no início de novembro dois sistemas Patriot adicionais da Alemanha e está a comprar novos mísseis para esta tecnologia antiaérea aos Estados Unidos com dinheiro dos parceiros europeus.
Zelensky disse que espera continuar a reforçar as defesas aéreas com “sistemas capazes de abater mísseis balísticos”, como é o caso dos Patriot, que se revelaram também como a única garantia contra os mísseis hipersónicos russos Kinzhal.
Apesar dos melhores resultados demonstrados hoje pelas defesas aéreas ucranianas, vários mísseis e 23 drones de ataque atingiram diretamente diversos pontos da Ucrânia, de acordo com a força aérea.
Na região de Odessa (sul), as autoridades voltaram a relatar danos em infraestruturas energéticas devido à queda de projéteis russos.
Em Kyiv, o bombardeamento russo atingiu cerca de trinta blocos de apartamentos, segundo informou nas redes sociais a primeira-ministra da Ucrânia, Yulia Sviridenko.
A chefe do Governo também deu conta de danos causados em infraestruturas de outras regiões como Sumy e Kharkiv (nordeste) e Kirovograd (centro).
Sviridenko insistiu na necessidade de os aliados enviarem urgentemente nova ajuda em matéria de defesas aéreas.
Referiu que a ajuda é necessária para a Ucrânia se proteger de uma campanha de ataques russos que já destruiu no outono uma parte significativa da capacidade de processamento de gás e de produção de eletricidade.
A primeira-ministra também exortou os aliados ocidentais a aprovarem a utilização dos ativos russos congelados nos respetivos países para reforçar a Ucrânia.
“A tão esperada decisão sobre os ativos russos deve avançar sem demora. É uma necessidade estratégica”, escreveu Sviridenko nas redes sociais, segundo a EFE.
Kyiv quer mais ajuda financeira para poder continuar a funcionar como Estado, sustentar o exército, importar o gás e a eletricidade que deixou de produzir devido aos bombardeamentos russos e comprar armas aos Estados Unidos.
Washington deixou de enviar armamento gratuito com a chegada de Donald Trump à presidência, em janeiro.
A Comissão Europeia apresentou um plano para fazer chegar à Ucrânia 185 mil milhões de euros em ativos russos congelados, o que aliviaria a crescente pressão financeira que o apoio a Kyiv representa para os aliados europeus.
Países como a Bélgica, onde está retida a maior parte dos ativos, mostram-se relutantes em aprovar o plano devido às possíveis consequências jurídicas e financeiras que a iniciativa poderá acarretar.














