Mercado negro de contas para Glovo e Uber Eats cresce com falta de fiscalização

Oferta de contas para trabalhar com estas aplicações cresce online, com grupos organizados em redes sociais e WhatsApp que reúnem milhares de utilizadores

Francisco Laranjeira
Fevereiro 6, 2026
12:31

O mercado negro de contas para trabalhar com a Glovo e a Uber Eats está em expansão devido à ausência de fiscalização eficaz das plataformas. Quatro anos e meio após a aprovação da Lei dos Entregadores, e apesar da contratação direta de freelancers pelas empresas — com a Uber Eats mantendo até então um modelo híbrido —, a oferta de contas para trabalhar com estas aplicações cresce online, com grupos organizados em redes sociais e WhatsApp que reúnem milhares de utilizadores.

Segundo a publicação ‘El Economista’, mensagens como “Conta Glovo para alugar. 30 horas, a partir de amanhã” ou “Conta para alugar com bicicleta. Procuro pessoas sérias em Madrid” proliferam em fóruns no país vizinho onde entregadores, muitas vezes ligados a empresas subcontratadas pelas plataformas, disponibilizam as suas licenças de trabalho.

A plataforma ‘Riders for Rights’ reconhece que esta situação, longe de se resolver, tem-se agravado. “Um dos fatores que mais contribuem para isso é a impossibilidade de manter o controlo biométrico sobre os indivíduos que usam as contas devido às restrições de proteção de dados”, explicou um porta-voz. Os entregadores que alugam as suas contas cobram comissões que variam entre 20% e 30%, muitas vezes direcionadas a trabalhadores indocumentados.

Em 2023, a Glovo foi multada em 5,2 milhões de euros por empregar 813 trabalhadores estrangeiros sem documentação adequada. A plataforma, pertencente ao grupo alemão Delivery Hero, anunciou em dezembro de 2024 a contratação direta de todos os seus 15.000 entregadores autónomos, ação realizada também através de subcontratados.

A Uber Eats, que utilizava um modelo híbrido, alterou a estratégia em janeiro, descontinuando o trabalho com contratados independentes. Os motoristas que ainda utilizam a aplicação como independentes passaram a integrar frotas parceiras como funcionários. “Manifestamos o compromisso em cumprir nossas obrigações e encerrar litígios pendentes, garantindo um processo justo para todos”, afirmou a empresa em comunicado, após ameaças do Ministério do Trabalho de Espanha de apresentar acusações criminais.

A utilização de falsos trabalhadores autónomos representa riscos significativos para as plataformas. A Delivery Hero aumentou em 2024 as provisões para litígios e multas da Glovo, passando de 466 milhões em 2023 para 900 milhões de euros, com o total de possíveis penalizações a ultrapassar 1,34 mil milhões de euros. A Uber Eats, por sua vez, reservou 177 milhões para multas potenciais e depositou 130 milhões de euros em garantias junto do Deutsche Bank.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.