Mercado cambial instável com dólar sob pressão e euro à espera da inflação: A análise de Joana Vieira, Partner da Ebury

O dólar continua sob pressão depois de a tentativa do presidente norte-americano, Donald Trump, de destituir a governadora da Reserva Federal, Lisa Cook, ser considerada “o ataque mais direto à independência da Fed desde, pelo menos, a década de 70”, segundo Joana Vieira, Partner da Ebury.

Fábio Carvalho da Silva e André Mendes
Setembro 2, 2025
10:04

O dólar continua sob pressão depois de a tentativa do presidente norte-americano, Donald Trump, de destituir a governadora da Reserva Federal, Lisa Cook, ser considerada “o ataque mais direto à independência da Fed desde, pelo menos, a década de 70”, segundo Joana Vieira, Partner da Ebury.

Na semana passada, a moeda norte-americana caiu em relação à maioria dos seus principais pares, embora as variações tenham sido contidas face ao euro e à libra. “Os movimentos deixaram a moeda americana perto do meio da estreita faixa que se manteve durante todo o verão (no hemisfério norte)”, refere Joana Vieira, lembrando que “indícios nos dados económicos de que a temida desaceleração pode ter sido exagerada certamente ajudaram”.

A especialista sublinha que “no geral, foi uma semana tranquila nos mercados cambiais, sem qualquer tendência clara de movimento, e onde as moedas só se moveram significativamente devido a fatores nacionais idiossincráticos”.

Esta semana, as atenções estarão voltadas para os EUA, onde o feriado do Dia do Trabalhador encurta a negociação, mas não impede a divulgação de dados relevantes. O destaque será o relatório do mercado de trabalho de agosto, a publicar na sexta-feira. “As expectativas foram revistas em baixa após o muito fraco relatório de julho, mas ainda são consistentes com a modesta criação de emprego e com uma pequena redução do desemprego”, explica Joana Vieira. A Partner da Ebury alerta ainda que “a substituição do responsável da organização que realiza o relatório (o Bureau of Labor Statistics) por um defensor acérrimo de Trump acrescenta outra dimensão à incerteza”.

Na Europa, o foco será o relatório preliminar de inflação de agosto, a divulgar esta terça-feira.

Euro pressionado por França e pelo crescimento lento

Na Zona Euro, o movimento global de liquidação de títulos soberanos de longo prazo também se faz sentir, embora com impacto distinto em cada país. “Os investidores estão focados em França, que combina um cenário fiscal sombrio com instabilidade política”, nota a Ebury. O primeiro-ministro, Bayrou, enfrentará um voto de confiança na próxima segunda-feira, após a falta de resultados nos esforços para reduzir a despesa pública.

As taxas a 30 anos na Alemanha atingiram máximos de 15 anos na semana passada, refletindo a tendência do mercado obrigacionista.

Apesar de o euro estar a beneficiar da “degradação institucional nos EUA”, o desempenho da moeda única continua limitado pelo “crescimento lento e contínuo e pelas baixas taxas de curto prazo que o acompanham”.

Segundo a Ebury, “a principal divulgação desta semana é o relatório preliminar de inflação de agosto, que deverá mostrar uma convergência contínua em direção às metas do BCE – uma raridade entre as principais áreas económicas”.

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