Melania Trump diz que oito crianças ucranianas regressaram às famílias após falar Putin

A primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, afirmou esta sexta-feira que oito crianças ucranianas foram reunidas com as suas famílias depois de manter conversações com o presidente russo, Vladimir Putin. Segundo explicou, o progresso resultou da criação de um “canal de comunicação aberto” com o Kremlin, com o objetivo de abordar a situação dos menores deportados durante a invasão russa da Ucrânia.

Pedro Gonçalves
Outubro 10, 2025
17:16

A primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, afirmou esta sexta-feira que oito crianças ucranianas foram reunidas com as suas famílias depois de manter conversações com o presidente russo, Vladimir Putin. Segundo explicou, o progresso resultou da criação de um “canal de comunicação aberto” com o Kremlin, com o objetivo de abordar a situação dos menores deportados durante a invasão russa da Ucrânia.

Melania Trump revelou que, em agosto, enviou uma carta a Putin, que terá sido entregue pessoalmente pelo seu marido, Donald Trump, durante o encontro que o ex-presidente manteve com o líder russo no Alasca. Nessa mensagem, a primeira-dama pedia cooperação para facilitar a reunificação familiar de várias crianças ucranianas transferidas para território russo desde o início do conflito.

Durante uma conversa com jornalistas na Casa Branca, Melania afirmou que “a resposta de Putin foi positiva” e acrescentou que ambos os lados acordaram cooperar pelo bem-estar de todos os envolvidos na guerra.

A deportação de menores ucranianos para território russo é um dos aspetos mais controversos da invasão, com Moscovo acusada de transferir milhares de crianças para o interior da Rússia para as educar como cidadãs russas, numa tentativa de apagar a identidade nacional ucraniana.

De acordo com várias organizações não-governamentais, mais de um milhão de crianças estudam atualmente sob o currículo escolar russo nas zonas ocupadas da Ucrânia. A estas somam-se mais de 19 mil crianças “ilegalmente deportadas” para a Rússia ou Bielorrússia — algumas órfãs, outras retiradas diretamente das suas famílias.

Investigadores da Universidade de Yale rastrearam o paradeiro de mais de 30 mil menores deslocados da Ucrânia em comboios ou autocarros. Em 2023, Moscovo celebrou publicamente o “deslocamento” de 700 mil crianças, alegando que fugiam “das bombas”, embora relatórios internacionais apontem para uma campanha sistemática de russificação e adoção forçada.

Uma semana antes da invasão, o governo russo já teria iniciado preparativos para um programa de adoção e acolhimento de crianças ucranianas por famílias russas. Apenas em 2023, 2.442 menores foram transferidos para a Bielorrússia, a maioria provenientes de Mariupol e Lysychansk.

De acordo com documentos públicos e testemunhos recolhidos pelo jornal El Confidencial, muitas destas crianças estão sujeitas a processos de reeducação ideológica e militarização precoce, em linha com o esforço do Kremlin para integrar os territórios ocupados na sua esfera de influência.

Com este gesto, Melania Trump pretende afirmar um papel humanitário e diplomático, procurando abrir canais de diálogo mesmo em tempos de conflito. “Temos de agir pelo bem das crianças”, afirmou, sublinhando que a questão “transcende a política e deve unir a comunidade internacional”.

O anúncio representa o primeiro resultado concreto de uma iniciativa pessoal da primeira-dama no contexto da guerra da Ucrânia, mas ainda não há confirmação independente sobre o destino das oito crianças mencionadas.

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