O mercado global de fusões e aquisições (M&A) vive um ano histórico, impulsionado pela revolução da Inteligência Artificial (IA) e pelas elevadas valorizações bolsistas. Desde o início de 2025, já foram anunciadas 62 megafusões — operações superiores a 10 mil milhões de dólares (8,65 mil milhões de euros) — num valor total de 1,08 biliões de euros, segundo dados da consultora Dealogic.
O número representa quase o dobro das 33 operações de grande dimensão registadas no mesmo período de 2024, que totalizavam 0,58 biliões de dólares.
Entre as principais transações destacam-se a fusão entre os operadores ferroviários norte-americanos Union Pacific e Norfolk Southern, a OPA da Silver Lake sobre a Electronic Arts, a compra da Kenvue pela Kimberly-Clark, a aquisição da Aligned Data Centers por um consórcio liderado pela BlackRock e a disputa entre Pfizer e Novo Nordisk pela Metsera, revela o Expansión.
Se o atual ritmo se mantiver, 2025 poderá tornar-se o ano com mais megafusões da história, superando os registos de 2021 (60 operações no valor de 1,08 biliões de euros) e de 2015 (55 transações avaliadas em 1,25 biliões).
O fenómeno é explicado por dois fatores principais. Por um lado, as altas valorizações nas bolsas aumentam os preços, mas também reforçam a confiança dos investidores em avançar com grandes aquisições.
Por outro, a transformação provocada pela Inteligência Artificial está a levar as empresas a procurar novas capacidades e maior dimensão financeira para investir em tecnologias e infraestruturas relacionadas com a IA.
Os Estados Unidos lideram este movimento, com 41 das 62 megafusões anunciadas em 2025. A Ásia regista 12 transações desse tipo e a Europa apenas nove.
Na Europa, o movimento é bastante mais contido. Desde o início de 2025 até 6 de novembro, foram anunciadas nove operações acima dos 8,6 mil milhões de euros, totalizando 130 mil milhões de euros, valores muito abaixo dos registados nos anos de maior dinamismo (2015, 2018, 2020 e 2021).
Analistas apontam que o regresso de grandes operações no Velho Continente dependerá de maior confiança na economia e da reforma das regras de controlo de concentrações anunciada por Bruxelas, que poderá tornar o processo menos rigoroso e mais favorável à criação de grandes grupos empresariais.














