Face ao atual cenário meteorológico, marcado pela continuação de chuva intensa e pelo potencial risco de cheias e inundações em várias zonas do país nos próximos dias, a Euromaster alerta para os principais danos que podem afetar um veículo que esteja exposto à água. A recomendação ocorre num contexto ainda marcado pelos impactos deixados pela depressão Kristin, que causou danos generalizados em infraestruturas e serviços em diversas regiões.
Motor
Se o veículo se encontrar em funcionamento quando entra numa zona inundada, é muito provável que a água entre pela admissão do motor, podendo provocar a sua avaria total. Em situações deste tipo, a água pode entrar nos cilindros e, quando o pistão sobe ao ponto morto superior, como a água não é compressível, ocorre a deformação das bielas, conduzindo à rutura completa do motor.
Num veículo com cerca de 15 anos de antiguidade, a substituição integral do motor pode facilmente ultrapassar os 3.000 euros. No caso de veículos mais recentes, de gama média, o custo da substituição completa do motor pode situar-se entre os 10.000 e os 15.000 euros.
Sistemas eletrónicos e unidades de controlo
Num veículo de combustão relativamente recente, podem existir entre 25 e 30 unidades eletrónicas. Em caso de inundação, é altamente provável que estas unidades sejam afetadas, quer pela água acumulada, quer pela sujidade e pelos detritos habitualmente arrastados durante uma cheia.
As unidades eletrónicas mais simples apresentam um custo base superior a 300 euros por unidade, enquanto uma mais sofisticada e tecnologicamente avançada pode atingir valores entre os 1.000 e os 5.000 euros.
Travões e suspensão
No caso dos sistemas de travagem e de suspensão, uma limpeza profunda e uma secagem adequada podem, em muitos casos, ser suficientes para resolver o problema, sendo estes considerados danos de menor gravidade. Importa recordar que, juntamente com os pneus, os travões e as suspensões são dos componentes mecânicos mais expostos às intempéries, nomeadamente à chuva intensa, à água acumulada e às projeções resultantes da circulação em zonas alagadas.
Sistema de escape
Relativamente ao sistema de escape, é fundamental assegurar a correta remoção da água acumulada, evitando a retenção de humidade que pode dar origem a fenómenos de corrosão interna. Os custos associados à reparação variam significativamente, mas são, regra geral, inferiores aos decorrentes de danos no motor.
Interior do veículo
A reparação do interior de um veículo inundado é, na maioria dos casos, viável. Bancos, tablier, revestimentos e outros elementos do habitáculo podem ser recuperados, embora o processo seja exigente. O custo mínimo estimado para este tipo de intervenção ronda os 250 euros, podendo aumentar em função da extensão e da gravidade dos danos.
Veículo elétrico
Embora a bateria dos veículos elétricos esteja concebida para resistir à submersão, o principal problema reside nos restantes componentes eletrónicos. Quando um veículo elétrico fica submerso numa zona inundada, é muito provável que estes componentes sejam afetados de forma grave ou muito grave, podendo, em alguns casos, não compensar proceder à reparação.
Seguro automóvel e cobertura de danos
De um modo geral, os seguros automóveis não costumam cobrir os danos provocados por fenómenos naturais, como cheias ou inundações, salvo quando existe uma cláusula ou cobertura específica prevista na apólice. Na maioria dos casos, é o Consórcio de Compensação de Seguros que assegura a compensação dos danos materiais causados por catástrofes naturais, incluindo os veículos.














