O acionamento de meios militares para apoiar as populações afetadas pela depressão Kristin está a gerar polémica, após ter sido revelado que as Forças Armadas dispunham de entre 2.000 e 3.000 militares prontos a ser empenhados. No entanto, o pedido formal, que teria de partir da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, tardou a chegar.
De acordo com o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, general José Nunes da Fonseca, essa solicitação cabe ao presidente da ANEPC, José Manuel Moura, nomeado para o cargo há cerca de um ano pelo primeiro-ministro Luís Montenegro.
Segundo o ‘Correio da Manhã‘, ao final da tarde de 28 de janeiro, mais de 12 horas depois de a depressão Kristin ter provocado estragos em 68 concelhos, onde vivem cerca de 1,8 milhões de pessoas, estavam no terreno apenas quatro militares. Tratava-se de um destacamento de engenharia do Exército destacado para Ferreira do Zêzere, com a missão de desobstruir estradas afetadas pelo mau tempo.
Reforço gradual dos meios militares após críticas
Na mesma altura, o presidente da ANEPC assegurava, em declarações à ‘RTP’, que estava a ser desenvolvido no terreno um “trabalho excelente e notável”. No dia seguinte, quinta-feira, registou-se um reforço da resposta, com a mobilização de dois destacamentos de Engenharia do Exército, o realojamento de 34 refugiados ucranianos no Regimento de Transportes e o envio de geradores para várias autarquias.
O primeiro balanço concreto de meios envolvidos surgiu apenas no sábado, dia 31, quando foi divulgado que estavam no terreno 240 militares, apoiados por 74 viaturas e 12 geradores. Nessa data, o EMGFA indicava que o “total de apoios solicitados pela ANEPC e em preparação” ascendia a 14.
Quase dois mil militares mobilizados cinco dias depois
A 1 de fevereiro, o número de militares no terreno subiu para 1.090, apoiados por 211 viaturas. Já na segunda-feira seguinte, cinco dias após a passagem da Kristin, estavam envolvidos “1.975 militares em apoio direto às populações”, tinham sido posicionados “30 botes e respetivas equipas” em zonas de risco severo de cheias nos rios Douro, Mondego, Tejo e Vouga, e foram disponibilizadas comunicações de emergência com 13 equipamentos Starlink.
Apesar da dimensão da operação, o presidente da Proteção Civil afirmou nesse mesmo dia que “não se justifica” recorrer ao Mecanismo Europeu de Proteção Civil, argumentando que o instrumento tem regras próprias e não serve “para pedir telhas nem lonas”, acrescentando que Portugal ainda não esgotou a sua capacidade de resposta.
De acordo com o ‘Correio da Manhã’, pelo menos 10 pessoas perderam a vida em consequência da tempestade Kristin. Esta terça-feira, cerca de 103 mil clientes da E-Redes continuavam sem fornecimento de eletricidade, refletindo o impacto prolongado da depressão em várias regiões do país.














