Luís Montenegro, em visita a Santarém, apontou que os efeitos do mau tempo em Portugal provocaram prejuízos avaliados “em mais de quatro mil milhões de euros”.
“Estamos a fazer tudo com muitas frentes abertas no país, em Santarém, no Douro, com grande probabilidade no rio Vouga, Águeda e Mondego… temos situações muito complexas na gestão de cheias e inundações. Mas ao mesmo tempo não esquecemos que há muitos portugueses com dificuldades de habitação, ainda fruto da depressão Kristin, e para essas estamos já no terreno”, começou por referir o primeiro-ministro.
“Temos hoje já 450 pessoas que recorreram à plataforma de apoio disponibilizado para recuperação de casa, agricultores já mais de 1.200, empresas cerca de 1.200, numa disponibilidade financeira que ultrapassa os 350/400 milhões de euros. Há 275 Espaços do Cidadão abertos – além das seis das 12 carrinhas móveis que foram anunciadas no Conselho de Ministros de quinta-feira – para ajudar as pessoas a acelerar os formulários online, estamos a tentar fazer o apoio à gestão e recuperação. Estamos a programar o que pode acontecer nos próximos dias, estamos a gerir o que está a acontecer e a recuperar o que já passou”, frisou Montenegro.
O primeiro-ministro indicou também que “estamos a usar todos os instrumentos financeiros para poder fazer face a um nível de prejuízos que já ultrapassou os 4 mil milhões de euros”.
“Entre companhias de seguro, que vão cumprir os seus contratos com os seus clientes, entre as ajudas diretas às famílias, àqueles que estão a perder rendimento e podem recorrer na Segurança Social aos apoios, as empresas com possibilidade de aceder a linhas de crédito e a um período no qual não pagam as contribuições à Segurança Social – podem também candidatar-se ao lay-off simplificado”, continuou.
“Entre todo esse desenho de recursos privados e públicos, temos de ter capacidade financeira – desde logo o OE, a reorganização dos fundos disponíveis, incluindo do PRR, e outros fundos a que nos estamos a candidatar e que estamos em permanente contacto com as instituições europeias”, apontou o chefe do Governo. “Estamos a fazer tudo para acelerar a chegada dos apoios à realidade das pessoas, às famílias como prioridade máxima, as atividades económicas, com a agricultura à cabeça, a floresta, e todas as outras atividades económicas, que hoje podem já usufruir, num tempo muito rápido, de apoios para podermos dar a volta por cima.”
Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 08 para 68 concelhos, voltando a ser prolongada até 15 de fevereiro.





