A Associação Portuguesa da Indústria Eletrodigital (AGEFE), que abrange o setor dos geradores, reconheceu hoje que “nenhum mercado de nenhum produto” podia prever a procura gerada pelo impacto da tempestade Kristin.
“Nenhum mercado de nenhum produto está preparado para uma situação trágica e extraordinária como a que vivemos e não há nenhum processo normal de ‘stockagem’ que possa prever o que se está a passar”, disse, em resposta à Lusa, o diretor-geral da Associação Portuguesa da Indústria Eletrodigital (AGEFE), Daniel Ribeiro.
A informação que a associação tem “não é quanto a falhas ou ruturas”, destes equipamentos, “mas quanto ao esforço, empenho e colaboração ativa das empresas da indústria eletrodigital para uma rápida reposição das infraestruturas e para apoio às pessoas e reposição da normal atividade económica das zonas afetadas”.
Segundo o responsável, isto “passa pela disponibilização de todo o equipamento e material necessário, sejam geradores ou qualquer outro, com recurso inclusive a equipas de piquete e intervenção ou mediante alargamento dos períodos de abertura para aumento da capacidade de resposta”.
Um total de 83 mil clientes da E-Redes continuava sem abastecimento elétrico pelas 12:00 de hoje, 81 mil dos quais nas zonas mais atingidas pela depressão Kristin, anunciou hoje a empresa.
Num comunicado, a elétrica revelou que às 12:00 de hoje continuavam sem abastecimento de energia elétrica 83 mil clientes da E-Redes, sendo que, nas zonas mais críticas, as avarias decorrentes da depressão Kristin totalizavam 81 mil clientes, sobretudo no distrito de Leiria, com 59 mil clientes afetados.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 58 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.














