Mau tempo. “Mais de 650 km de linhas e 60 torres de muito alta tensão inoperacionais”, revela líder da REN

Rodrigo Costa esteve acompanhado pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, e do presidente do conselho de administração da E-Redes, José Ferrari Careto, numa deslocação às áreas mais atingidas pela tempestade

Francisco Laranjeira
Fevereiro 4, 2026
15:21

A depressão Kristin provocou uma destruição sem precedentes na rede elétrica nacional, com impactos severos sobretudo no centro do país. Em poucas horas, caíram mais de 60 torres de muito alta tensão da REN, algumas com 70 a 80 metros de altura, deixando cerca de 650 quilómetros de linhas inoperacionais, revelou o presidente da REN, Rodrigo Costa, durante uma visita ao terreno em Leiria.

“Num espaço de três ou quatro horas caíram-nos mais de 60 torres, ficando 650 quilómetros de linhas inoperacionais. O impacto foi brutal”, afirmou o responsável, sublinhando ainda assim que o abastecimento elétrico não foi interrompido por falhas na rede de transporte. A redundância do sistema elétrico nacional permitiu desviar a energia por percursos alternativos, garantindo o fornecimento às subestações da E-Redes, incluindo nas zonas mais afetadas.

Rodrigo Costa esteve acompanhado pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, e do presidente do conselho de administração da E-Redes, José Ferrari Careto, numa deslocação às áreas mais atingidas pela tempestade.

Reparações prolongam-se por meses e exigem operação de grande escala

Apesar da resiliência do sistema de transporte, a recuperação das infraestruturas danificadas será longa. Segundo o presidente da REN, os trabalhos vão prolongar-se por dois a três meses, envolvendo apenas na região de Leiria cerca de 250 pessoas e 50 equipamentos pesados, entre gruas, guindastes e camiões.

As condições meteorológicas e o estado dos terrenos continuam a dificultar a operação, aumentando os riscos de segurança. Ainda assim, Rodrigo Costa rejeitou constrangimentos de meios, explicando que o principal desafio é a dimensão da intervenção. “Não é falta de mão-de-obra nem de equipamentos. O desafio é a escala e a complexidade da intervenção”, afirmou, reconhecendo a pressão sentida pelas populações afetadas. “Para quem está sem eletricidade, uma hora é sempre uma hora a mais.”

Mais de seis mil quilómetros de rede danificados

O impacto da depressão Kristin foi ainda mais severo ao nível da rede de distribuição. A E-Redes confirmou que mais de 6.000 quilómetros de rede elétrica foram afetados em todo o país, com troços destruídos, partidos ou gravemente danificados, e mais de 1.400 postes de Alta e Média Tensão comprometidos.

Às 08 horas desta quarta-feira, registavam-se ainda 93 mil clientes sem fornecimento de energia elétrica. Nas zonas mais críticas, diretamente associadas à passagem da tempestade, permaneciam sem eletricidade cerca de 87 mil clientes, concentrados sobretudo em Leiria, com 63 mil clientes afetados, seguindo-se Santarém, com 15 mil, Castelo Branco, com 6 mil, e Coimbra, com 3 mil.

Para responder a este cenário, a E-Redes reforçou significativamente os meios no terreno, mobilizando 1.800 operacionais e cerca de 200 colaboradores em backoffice, incluindo equipas deslocadas de outras regiões do país. Estão igualmente ativos cerca de 500 geradores, assegurando soluções temporárias sempre que tecnicamente possível, sobretudo nas situações de maior impacto para as populações.

“Nunca tivemos um evento desta severidade”

A ministra do Ambiente e Energia classificou a situação como inédita em Portugal. “Desde que há registos no país, nunca tivemos um evento desta severidade, sobretudo ao nível da velocidade do vento”, afirmou Maria da Graça Carvalho, admitindo que, em algumas zonas, “o sistema elétrico ficou praticamente destruído”.

A governante explicou que a reposição do serviço tem de respeitar a hierarquia técnica da rede, da muito alta tensão até à baixa tensão, o que condiciona a rapidez da resposta, em especial em territórios com povoamento disperso. “O que estamos a fazer não é uma reparação pontual, é uma reconstrução”, sublinhou.

José Ferrari Careto apontou como objetivo a reposição do fornecimento em todo o território até ao final do mês, embora sem assumir garantias absolutas. “Desejo que até ao final do mês esteja reposta a energia na totalidade do território. Não consigo dar garantias, mas espero que isso aconteça”, afirmou.

As autoridades e as empresas do setor mantêm articulação permanente com os serviços de proteção civil e as autarquias, numa operação que continua a ser marcada pela elevada complexidade técnica e pela prioridade à segurança das equipas e das populações.

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