O presidente da Câmara de Mação estimou hoje que os prejuízos causados pelas tempestades e pelas cheias do Tejo ascendam a milhões de euros, classificando a situação como “trágica” e admitindo que o concelho ainda está longe da normalidade.
“Foi trágico, uma calamidade. Ainda não tínhamos saído da tempestade Kristin e já o Tejo nos estava a criar problemas. A zona norte do concelho ficou muito destruída e as mazelas permanecem”, afirmou à Lusa o presidente do município, José Fernando Martins.
Segundo o autarca, duas semanas depois da passagem da tempestade Kristin, o concelho de Mação, no distrito de Santarém, continua a sentir os efeitos da chuva persistente e das cheias, com agravamento de derrocadas, muros e habitações em risco de ruína.
“Estamos a fazer um levantamento muito exaustivo dos prejuízos, tanto das pessoas, como dos equipamentos municipais. A ordem de grandeza é de milhões de euros”, sublinhou José Fernando Martins.
No sul do concelho, na freguesia de Ortiga, a subida do Tejo provocou novos danos, nomeadamente a destruição de parte dos passadiços ribeirinhos.
No total, 52 pessoas ficaram sem condições para permanecer nas suas casas, correspondendo a 41 habitações sem condições mínimas de habitabilidade.
Atualmente, nove pessoas continuam em instituições ou junto de familiares e o número de munícipes a necessitar de acompanhamento psicológico aumentou de três para seis.
Foram ainda registados danos significativos em edifícios municipais, empresas e habitações particulares, incluindo pavilhões industriais, bem como nas praias fluviais de Carvoeiro e Cardigos, afetadas por quedas de árvores, pela força das águas e detritos arrastados pelas ribeiras.
A Escola de Cardigos sofreu danos estruturais, entretanto estabilizados, e vários cemitérios do concelho foram atingidos por quedas de árvores, mantendo-se alguns encerrados.
Até hoje, a Câmara já recebeu 580 formulários de registo de danos, 53 de empresas e associações e 527 de particulares.
A eletricidade e o abastecimento de água estão já repostos, mas persistem falhas nas comunicações em várias freguesias, uma situação que o presidente da Câmara considera “inaceitável”, alertando para as dificuldades acrescidas na submissão de candidaturas a apoios públicos.
José Fernando Martins alertou também para os impactos na floresta e na agricultura, bem como para os atrasos nos trabalhos de prevenção de incêndios, num concelho historicamente fustigado pelos fogos rurais.
“Vai ser preciso muito trabalho e muito investimento para reerguer o concelho”, afirmou.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A décima sexta vítima é um homem de 72 anos que caiu no dia 28 de janeiro quando ia reparar o telhado da casa de uma familiar, no concelho de Pombal, e que morreu a 10 de fevereiro, nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
O Plano Especial de Emergência para Cheias na bacia do Tejo, acionado no dia 05 de fevereiro, mantém-se em alerta vermelho.



