Os 68 concelhos em situação de calamidade após a passagem da depressão Kristin têm 17,1% da população residente em Portugal e 16,7% da área total, um território onde se localizam grandes empresas, muitas delas fortemente exportadoras.
Segundo os dados do INE de 2023, nos concelhos com declaração de calamidade viviam 1.8267.35 pessoas (17,1%) e com um rendimento bruto de 20.651.694 euros, que corresponde a 16,4 % do total do país.
Em muitas das freguesias, ainda sem eletricidade, existirão dificuldades no acesso ao voto nas eleições presidenciais de domingo, 8 de fevereiro. No total da área afetada, estão inscritos 1.589.165 eleitores (14,4% do total). A abstenção nestes concelhos oscilou entre 26,33% em Vila de Rei e 50,30% na Nazaré.
Acima do poder de compra ‘per capita’ do país, no mapa dos concelhos afetados, apenas está Leiria, Coimbra e Aveiro, mas, entre os municípios com menos de 70% da média nacional existem quatro casos: Oleiros, Penamacor, Góis e Pampilhosa da Serra.
No que diz respeito ao envelhecimento, 30% da população tem mais de 65 anos, acima da média nacional (24%), e, dos 68 concelhos afetados, apenas 14 têm populações mais novas que a média nacional, com destaque para Entroncamento, Batalha e Ílhavo, seguindo-se depois Aveiro, Torres Vedras, Condeixa-a-Nova, Leiria, Rio Maior, Murtosa, Ovar, Vagos, Marinha Grande, Lourinhã e Albergaria-a-Velha.
Na região, encontram-se 14 concelhos com índice de envelhecimento que corresponde a mais do dobro da média nacional, com destaque para Oleiros, Penamacor, Pampilhosa da Serra e Castanheira de Pêra.
Oleiros, aliás, é o concelho mais envelhecido de toda a região afetada, com um índice de 730, quatro vezes superior à média nacional, e o presidente da Câmara disse hoje que mais de 70% do território está sem comunicações móveis ou com instabilidade.
O impacto não é apenas nas pessoas mas também na economia regional e nacional. Os concelhos litorais desta região afetada têm uma forte componente empresarial e toda a região tem 248.586 empresas, que correspondem a 15,7% do total do país.
A região de Leiria e de Aveiro é fortemente exportadora e essa contabilidade também terá efeitos na balança comercial do país.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.













