A Caixa Geral de Depósitos e o Novo Banco anunciaram esta sexta-feira um conjunto de medidas de apoio às famílias e empresas afetadas pela tempestade Kristin, num pacote global que ascende a cerca de 400 milhões de euros. As iniciativas incluem novos empréstimos para reconstrução, períodos de carência no pagamento de créditos já existentes e isenção de comissões bancárias, segundo indicou o jornal ‘Público’.
Outras instituições financeiras, como o BCP, estão também a analisar a adoção de medidas semelhantes, embora sem decisões finais conhecidas até ao momento. Ainda assim, todas as soluções dependem sempre da avaliação do risco individual de cada cliente.
Caixa concentra maior pacote de apoio
De acordo com o jornal diário, a Caixa Geral de Depósitos, enquanto maior banco do país, concentra a maior fatia deste esforço, com medidas extraordinárias que totalizam 300 milhões de euros e cuja implementação é imediata.
No caso de novos créditos, as propostas dos clientes afetados pela tempestade terão de ser apresentadas até ao final de março, com a contratação e assinatura da escritura a ocorrerem nos dois meses seguintes, até ao fim de maio.
Para crédito à habitação destinado a obras e reabilitação — excluindo a compra de casa — a CGD disponibiliza financiamento com spread zero, aplicando apenas a taxa de juro associada, que é de 2,15% numa taxa mista a um ano. Estas condições aplicam-se tanto a habitações permanentes como secundárias, sem cobrança das comissões habituais.
O banco liderado por Paulo Macedo prevê ainda medidas de alívio para quem já tem crédito à habitação, incluindo a possibilidade de suspensão de pagamentos até seis meses, alargamento do prazo do empréstimo, adiamento de prestações ou redução de taxas.
Apoios também abrangem automóveis e crédito pessoal
Os prejuízos causados pela tempestade Kristin não se limitaram às habitações, afetando também viaturas e outras estruturas, sobretudo nas regiões de Leiria, Coimbra e Santarém.
Neste contexto, a CGD propõe oferecer a primeira prestação do crédito automóvel, até ao limite de 300 euros por operação, além de disponibilizar crédito pessoal em condições semelhantes para outras finalidades.
Novo Banco com linha de 100 milhões
O Novo Banco anunciou um pacote de medidas no valor de 100 milhões de euros. No crédito à habitação, trata-se de financiamento bonificado destinado a obras de reparação e reabilitação de casas danificadas pela tempestade, com spread zero e isenção de comissões bancárias.
Também para as empresas, o Novo Banco disponibiliza uma linha de crédito bonificada para apoiar a reposição da atividade, a reparação de infraestruturas e a recuperação de danos, ficando a cargo do cliente apenas o pagamento da taxa de juro.
Tal como sublinhou o ‘Público’, estas medidas não constituem novos serviços, mas sim descontos face às condições normalmente praticadas, sendo soluções que os bancos tendem a ativar em situações de maior gravidade.
Apoios sem coordenação setorial
As medidas anunciadas resultam de decisões comerciais individuais de cada banco, não existindo qualquer coordenação ao nível do setor. A Associação Portuguesa de Bancos esclareceu que não intervém nem pode intervir na atividade comercial das instituições financeiras.
Entretanto, outras entidades continuam a avaliar respostas. O Crédito Agrícola afirma estar a desenhar soluções de apoio imediato, enquanto o BPI admite que poderão ser tomadas medidas caso se justifique. O ‘Público’ apurou ainda que o BCP está a estudar apoios, sem decisão final à data da publicação.
Dezenas de balcões continuam encerrados
Apesar do anúncio das medidas, a atividade bancária continua condicionada em várias zonas afetadas pela tempestade Kristin. A falta de eletricidade e de comunicações levou ao encerramento temporário de dezenas de balcões e à indisponibilidade de várias caixas Multibanco.
Segundo fonte do setor, o volume de operações bancárias recuou na quarta-feira, embora a quebra a nível nacional tenha sido limitada. A nível regional, os efeitos foram mais significativos, sobretudo devido aos apelos da Proteção Civil para que a população permanecesse em casa.
O Crédito Agrícola estima condicionamentos entre 60 e 90 agências, algumas encerradas. A CGD admite também ter balcões fechados, sobretudo no distrito de Leiria, enquanto o BCP indicou que 15 sucursais na zona centro não abriram por falta de energia ou comunicações, prevendo a reabertura no dia seguinte.
O BPI mantinha 18 balcões encerrados no distrito de Leiria, sem previsão de reabertura, e o Abanca registou problemas em cerca de 30 agências, com 20 ainda encerradas na quinta-feira, embora com impacto considerado localizado e temporário.








