Mau tempo: Autoridades estão a preparar evacuação de casas nas zonas ribeirinhas da Margem Sul do Tejo. Escolas deverão encerrar amanhã

Fonte contactada pela Executive Digest revelou que a GNR, a Proteção Civil e a Presidência da Câmara Municipal da Moita estão reunidas a avaliar a forte possibilidade de cheias nas zonas junto ao estuário do Tejo e a preparar a evacuação das casas mais próximas do rio.

Pedro Gonçalves
Fevereiro 5, 2026
15:51

A Proteção Civil ativou esta quinta-feira o alerta vermelho para a bacia do rio Tejo, face a uma subida intensa e rápida do caudal, fenómeno considerado excecional e que não se registava desde 1997. Numa conferência de imprensa realizada na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, o comandante nacional, Mário Silvestre, apelou às populações ribeirinhas para abandonarem preventivamente as suas habitações e se dirigirem para locais seguros.

“Desde 1997, aproximadamente, que não tínhamos um episódio destes na Bacia do Tejo e no rio Tejo. Isto implica cuidados especiais por parte da população ribeirinha, que está habituada a este fenómeno, mas desde 1997 que não temos um episódio potencialmente com esta dimensão”, alertou Mário Silvestre, sublinhando a velocidade e intensidade excecionais do aumento do caudal.

Fonte contactada pela Executive Digest revelou que a GNR, a Proteção Civil e a Presidência da Câmara Municipal da Moita estão reunidas a avaliar a forte possibilidade de cheias nas zonas junto ao estuário do Tejo e a preparar a evacuação das casas mais próximas do rio, medida que acontecerá ainda durante esta quinta-feira. Segundo a mesma fonte, as escolas do concelho deverão estar encerradas esta sexta-feira, decisão que deverá ser oficialmente anunciada ainda durante a tarde.

A mesma fonte avança ainda que outras câmaras municipais da Margem Sul do Tejo, como Alcochete e Montijo, também estão a acompanhar a situação e deverão implementar medidas semelhantes para proteger as populações ribeirinhas.

Causas da subida histórica do caudal
O aumento dos caudais no Tejo está associado, por um lado, às descargas elevadas das barragens espanholas de Alcântara e Cedilho, que libertam cerca de sete mil metros cúbicos por segundo, e, por outro, às contribuições das bacias hidrográficas em Portugal. Em locais como Almourol, os valores ultrapassaram durante a madrugada os 7.400 metros cúbicos por segundo, quando inicialmente se esperavam cerca de 3.500, levando à ativação do nível máximo de alerta.

O comandante nacional da Proteção Civil explicou que a magnitude do fenómeno exige comportamentos preventivos imediatos por parte da população mais exposta: retirar bens essenciais das habitações, deslocar-se para locais elevados e permanecer em segurança até estabilizar o caudal.

Mário Silvestre apontou que os impactos previstos incluem inundações em áreas urbanas, cheias rápidas, deslizamentos de terras, lençóis de água nas estradas e arrastamento de objetos, com risco acrescido para condutores e peões.

“Se estiver a conduzir, não atravesse estradas inundadas. Apenas 30 centímetros de água são suficientes para imobilizar a maior parte dos veículos e colocar vidas em risco. Evite túneis, ribeiras e vales”, alertou o comandante, reforçando que a prudência individual pode ser determinante para evitar vítimas.

Foram ainda reforçadas recomendações para que as pessoas afastem equipamentos elétricos da água, protejam os animais e mantenham crianças longe das linhas de água. Mário Silvestre alertou para a necessidade de não se aproximarem de zonas de risco para fotografar ou filmar a subida do Tejo, sobretudo nas áreas próximas das descargas das barragens.

Vigilância contínua e coordenação nacional
A situação hidrológica permanece sob observação permanente. A Proteção Civil indicou que descargas de barragens espanholas poderão também criar problemas no rio Douro, cenário que continua a ser avaliado. No Tejo, o pico de caudal é esperado por volta da meia-noite, especialmente no Médio Tejo e no distrito de Lisboa, enquanto no Guadiana os caudais elevados se mantêm desde ontem.

Com milhares de operacionais mobilizados e planos de emergência ativados, as autoridades mantêm um apelo à prudência, reforçando que a evolução do tempo e dos caudais poderá agravar ainda mais os impactos em várias regiões do país.

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