Nem teletrabalho nem escolas fechadas: o que fica de fora das recomendações da Proteção Civil e porquê

Previsões do IPMA apontam para uma melhoria generalizada do estado do tempo após o nascer do sol em Portugal

Francisco Laranjeira
Janeiro 27, 2026
18:18

Portugal continental vai enfrentar, nas primeiras horas desta quarta-feira, um agravamento significativo das condições meteorológicas, com chuva forte, vento intenso, descida das temperaturas e queda de neve, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que emitiu vários alertas de mau tempo.

O que coloca a questão: será necessário esta quarta-feira permanecer em teletrabalho? Ou haverá necessidade de fechar as escolas? De acordo com fonte do IPMA contactada pela ‘Executive Digest’, a melhoria prevista do estado do tempo para esta quarta-feira não valida as recomendações – é expectável que o estado do tempo melhore após o nascer do sol, conforme mostram as previsões. No mesmo sentido, fonte da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil adiantou que “não é necessário qualquer pânico, as pessoas só precisam de seguir as recomendações da Proteção Civil. E se fizerem isso, já estão a ajudar”. Quanto ao teletrabalho, diz “para as pessoas evitarem deslocações”, no entanto, “é a entidade patronal que tem de determinar, ou não, se as pessoas devem ficar a trabalhar em casa.”

No que diz respeito às escolas, Torres Vedras pode ser uma exceção: o Serviço de Proteção Civil local emitiu um alerta, informando em comunicado que os estabelecimentos devem estar encerrados. A Proteção Civil deste concelho do Oeste salienta que “a população deve acompanhar as informações das autoridades e dos serviços de Proteção Civil e cumprir todas as orientações emitidas”, garantindo que “irá monitorizar a situação, apelando ao sentido de responsabilidade e à colaboração de todos”. Já em Oliveira do Hospital, informou o município, as escolas vão estar fechadas esta quarta-feira “devido ao agravamento das condições meteorológicas, com chuva intensa, granizo e ventos que podem atingir os 140 km/h”.

“Essa decisão é tomada pelo diretor do agrupamento com a Proteção Civil local. São decisões que acontecem muitas vezes na neve que cai nas terras altas. Seguramente haverá concelhos que amanhã vão decidir face à evolução do tempo. Quando não conseguimos garantir a segurança dos funcionários e alunos, fechamos as escolas”, precisou Filinto Lima, presidente da Associação de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas. “O diretor vai seguir o conselho da Proteção Civil. Isso passou-se em alguns concelhos na semana passada por causa do gelo e neve”, indicou o mesmo responsável.

De acordo com o IPMA, o dia de amanhã será marcado por céu geralmente muito nublado e períodos de precipitação mais intensa durante a madrugada e início do dia, passando gradualmente a regime de aguaceiros, que poderão ser acompanhados de granizo e trovoada. A descida da temperatura favorecerá a ocorrência de neve nas terras altas, inicialmente nos pontos mais elevados da Serra da Estrela, com a cota a descer ao longo do dia para os 600 a 800 metros no Norte e Centro.

Eis as previsões para Lisboa e Porto para esta quarta-feira: “Céu geralmente muito nublado”, com “períodos de chuva, por vezes forte até ao início da manhã, passando a regime de aguaceiros, que poderão ser ocasionalmente de granizo e acompanhados de trovoada”, para a capital, com “vento moderado a forte (25 a 45 km/h) de oeste/sudoeste, com rajadas até 90 km/h, enfraquecendo gradualmente a partir do final da tarde”, assim como uma “descida de temperatura”.

Já para o Porto, conte com “céu geralmente muito nublado” e “períodos de chuva, por vezes forte até ao início da manhã, passando a regime de aguaceiros, que poderão ser ocasionalmente de granizo e acompanhados de trovoada”. Mais: “vento moderado a forte (25 a 45 km/h) de oeste/sudoeste, com rajadas até 90 km/h, sendo até 100 km/h até ao início da manhã, enfraquecendo gradualmente a partir do final da tarde”.

Episódio de neve significativo durante as primeiras horas do dia

Segundo o Tempo.pt, entre as 3h00 e as 9h00 da manhã deverá ocorrer um episódio de queda de neve particularmente relevante, impulsionado pela colisão entre ar polar e uma depressão secundária em rápido aprofundamento. Distritos como Vila Real, Viseu, Guarda e Castelo Branco poderão registar intensidades superiores a 6,5 centímetros por hora, com acumulados totais que, em zonas de maior altitude, poderão ultrapassar os 30 centímetros, especialmente em áreas como Pitões das Júnias, em Trás-os-Montes.

A partir do meio-dia, a tempestade deverá perder intensidade, com períodos de abertas e ausência de precipitação em regiões como a Grande Lisboa, Beja e Évora. Ainda assim, no Norte e Centro manter-se-á chuva fraca e dispersa, voltando a generalizar-se ao final da tarde sob a forma de precipitação fraca em grande parte do território continental.

Vento forte e risco nas terras altas e no litoral

O vento soprará de oeste/sudoeste, moderado a forte, com velocidades entre 25 e 45 km/h e rajadas até 90 km/h no litoral, podendo atingir 100 km/h no Minho e Douro Litoral durante a manhã. Nas terras altas, as rajadas poderão chegar aos 110 km/h, enfraquecendo gradualmente a partir do final da tarde, segundo o IPMA.

Está ainda prevista a formação de gelo em alguns locais do interior Norte e Centro, em particular nas zonas de maior altitude, aumentando o risco para a circulação rodoviária.

Recomendações e medidas preventivas

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil recomenda a adoção de comportamentos preventivos face aos riscos associados às condições meteorológicas adversas previstas para esta madrugada:

– Garantir a desobstrução dos sistemas de escoamento das águas pluviais e remover objetos que possam ser arrastados

– Assegurar a correta fixação de estruturas soltas, como andaimes, placards publicitários ou outras estruturas suspensas

– Evitar a circulação e permanência junto de áreas arborizadas devido ao risco de queda de ramos ou árvores

– Redobrar cuidados na orla costeira e em zonas ribeirinhas vulneráveis a galgamentos marítimos

– Não praticar atividades relacionadas com o mar, como pesca desportiva ou desportos náuticos, nem estacionar veículos junto à orla marítima

– Adotar uma condução defensiva, reduzindo a velocidade e estando atento à formação de lençóis de água, gelo ou acumulação de neve

– Evitar a circulação em vias afetadas pela queda de neve e, quando inevitável, garantir pneus adequados, correntes de neve e níveis de combustível ou bateria suficientes

– Evitar viagens em zonas com neve com crianças, idosos ou pessoas com necessidades especiais

– Restringir ao máximo a circulação de veículos pesados, articulados ou de tração traseira nas vias afetadas

– Evitar qualquer atividade junto de linhas de água, sobretudo em zonas com histórico de inundações

– Não atravessar zonas inundadas, prevenindo o arrastamento de pessoas ou viaturas

– Retirar animais, equipamentos e bens de áreas normalmente inundáveis

– Acompanhar as previsões meteorológicas e seguir as indicações da Proteção Civil e das forças de segurança

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