Massas italianas em risco por causa das tarifas de Trump: Produtores ‘a ferver’ recorrem a tribunais

Os produtores italianos de massa estão sob forte pressão devido à ameaça de tarifas exorbitantes impostas pelos Estados Unidos, e apelam a uma intervenção política que lhes permita evitar impactos devastadores antes de uma eventual resolução legal.

Pedro Gonçalves
Outubro 16, 2025
14:02

Os produtores italianos de massa estão sob forte pressão devido à ameaça de tarifas exorbitantes impostas pelos Estados Unidos, e apelam a uma intervenção política que lhes permita evitar impactos devastadores antes de uma eventual resolução legal.

No dia 4 de setembro, o Departamento de Comércio dos EUA anunciou tarifas preliminares de 91,74% sobre treze marcas de massa italianas. Caso sejam confirmadas, estas tarifas entrarão em vigor em janeiro de 2026, atingindo diretamente Itália, que exportou cerca de 700 milhões de euros em massa para os Estados Unidos em 2024.

Margherita Mastromauro, presidente da Unione Italiana Food, a maior associação de produtores alimentares em Itália, classificou a medida como “injusta” e uma “ação protecionista dos EUA contra a massa italiana” em declarações à Euronews.

O conflito sobre as importações de massa italiana remonta a 1996, quando produtores norte-americanos acusaram fabricantes italianos de dumping — vender produtos nos EUA a preços inferiores aos praticados em Itália. Desde então, as empresas italianas têm sido regularmente sujeitas a tarifas, mas nunca da magnitude agora decidida pela administração Trump.

Combinadas com os direitos aduaneiros de 15% que atualmente se aplicam às importações da UE nos EUA, a carga tarifária total poderia atingir 106,74%, o que os produtores descrevem como “brutal”. Mastromauro sublinha que “uma grande parte das nossas empresas está envolvida. Com uma tarifa tão alta, todas estas empresas deixarão de exportar até que a nova revisão seja concluída”.

Tentativa de intervenção política e legal
Desde setembro, os produtores italianos têm tentado remover estas tarifas. Duas empresas, Garofalo e La Molisana, avançaram com ações legais contra a decisão. Paralelamente, o Governo italiano e a Comissão Europeia começaram a envolver-se no caso, embora, segundo Mastromauro, a situação seja mais “legal” do que “política”.

O Ministro da Agricultura italiano, Francesco Lollobrigida, denunciou o mecanismo como “hiperprotecionista contra os nossos produtores de massa”. Em Washington, representantes italianos trabalham ativamente para fazer ouvir a voz de Itália.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros italiano qualificou as tarifas como “desproporcionadas” e juntou-se ao processo junto do Departamento de Comércio dos EUA como “parte interessada”, defendendo um setor crucial da economia italiana.

Reação da União Europeia e Parlamento Europeu
A Comissão Europeia acompanha o caso de perto, avaliando o diálogo através dos canais abertos pelo acordo tarifário concluído em julho entre Bruxelas e Washington, que estabelece tarifas de 15% sobre importações da UE. Um responsável europeu admitiu à Euronews que, ao contrário de outras tarifas unilaterais dos EUA sobre produtos da UE, a ação anti-dumping sobre a massa italiana parece enquadrar-se num mecanismo de defesa comercial permitido pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

Caso sejam identificadas falhas na investigação, a UE poderá levantar a questão junto da OMC, o que poderá resultar em medidas retaliatórias.

O Parlamento Europeu também se posiciona sobre o assunto. Brando Benifei, eurodeputado socialista italiano e líder da delegação parlamentar para relações com os EUA, classificou a ação norte-americana como “claramente discriminatória” e apelou à Comissão Europeia para intervir rapidamente.

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