Marta Temido ordena suspensão da atividade não urgente nos hospitais de Lisboa

A informação consta de um email enviado à Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.

Executive Digest
Janeiro 6, 2021
14:37

A ministra da saúde, Marta Temido, ordenou esta quarta-feira que os hospitais de Lisboa suspendessem toda a atividade não urgente em virtude da evolução da pandemia da Covid-19. A informação consta de um email enviado à Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, avança o ‘Expresso’.

Neste sentido, todos os hospitais da região de Lisboa «devem, de imediato, escalar os seus planos de contingência para o nível máximo», bem como «garantir a alocação de meios humanos à área dos cuidados críticos», pode ler-se no email, enviado no final da manhã de hoje, a que o jornal teve acesso.

Segundo a mesma publicação, o objetivo passa por concentrar todos os recursos humanos na área dos cuidados intensivos, que atualmente é a mais afetada devido à crise de saúde pública, uma decisão que entrará em vigor de imediato.

Assim, para evitar que os hospitais  deixem de conseguir dar resposta, a ministra manda «suspender a atividade assistencial programada não urgente que possa reverter em reforço de cuidados ao doente crítico», ou seja, mobilizando tudo para os cuidados intensivos.

O ‘Expresso’ adianta ainda que a decisão foi tomada na sequência de uma reunião entre o ministério da saúde e a ARS de Lisboa e Vale do Tejo, no sentido de responder à pressão registada ultimamente, garantindo «resposta a uma procura que se prevê crescente nos próximos dias».

Os hospitais da região de Lisboa têm reportado elevadas taxas de ocupação, com muitos a ultrapassar (ou perto) os 90% nos últimos dias, como é o caso do Amadora Sintra e do Santa Maria em Lisboa, mas também o Beatriz Ângelo, em Loures.

O hospital Beatriz Ângelo já atingiu o limite da sua capacidade, com o número de doentes internados com Covid-19 a aumentar cerca de 30%, entre 31 de dezembro e 4 de janeiro. Perante este cenário, os utentes a ter de esperar por camas disponíveis, sem poder ser atendidos noutro local porque a ocupação dos restantes hospitais da região é superior a 90%.

O administrador executivo do hospital Beatriz Ângelo, Artur Vaz, referiu à ‘RTP’ que «o que mais nos preocupa são os doentes de cuidados intensivos de nível 2, que estão com ventilação não invasiva e de nível 3, doentes ventilados, porque a nossa unidade de cuidados intensivos (UCI) tem neste momento a sua capacidade esgotada».

O cenário é semelhante também no hospital Amadora Sintra, onde a taxa de ocupação em enfermarias de doentes internados com o novo coronavírus atingiu mesmo os 90%, enquanto que a ocupação nas UCI se fixa agora em cerca de 75%, segundo o ‘Correio da Manhã’ (CM).

A mesma publicação adianta que o hospital de Santa Maria, em Lisboa, pertencente ao Centro Hospitalar Lisboa Norte, está à beira de atingir a lotação máxima, registando 462 urgências na segunda-feira (nem todas situações de Covid-19), sendo este o terceiro pior dia desde Março.

Fora da região, a situação está igualmente complicada em outros centros hospitalares, nomeadamente no Hospital Geral do Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra (CHUC), que vive atualmente uma situação de escassez de recursos humanos, tanto nas urgências como na ala de internamentos. Também na Guarda o cenário é semelhante, esgotando já a capacidade de ocupação.

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