Marta Temido descarta suspensão total da vacina da AstraZeneca. «Não utilizá-la seria deixar de vacinar mais de 2 milhões de pessoas»

A ministra da saúde, Marta Temido, descartou esta sexta-feira a suspensão total da vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca. «Não utilizar esta vacina seria deixar de vacinar mais de duas mil pessoas acima dos 60 anos», disse em declarações aos jornalistas.

Simone Silva
Abril 9, 2021
11:47

A ministra da saúde, Marta Temido, descartou esta sexta-feira a suspensão total da vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca. «Não utilizar esta vacina seria deixar de vacinar mais de dois milhões de pessoas acima dos 60 anos», disse em declarações aos jornalistas.

«Sabemos que essas pessoas são aquelas que, contraindo Covid-19, têm maior probabilidade de ter doença grave e de ter um efeito fatal e portanto é preciso ter esta ponderação bem presente, e eu como ministra da saúde, aquilo que posso dizer é que a opção pela toma da vacina é a melhor», afirmou ainda.

No que diz respeito ao grupo etário abaixo dos 60 anos (para o qual a vacina em questão está atualmente suspensa), «as nossas autoridades de saúde consideraram que deviam ser mais restritivas e nós como sempre confiamos nos nossos técnicos», ressalvou.

Marta Temido explicou ainda que «a Agência Europeia do Medicamento fez uma orientação geral dizendo que a vacina AstraZeneca continuam a ser segura e eficaz e vale a pena. Depois, considerando uma análise riscos e benefícios em alguns contextos, as autoridades nacionais têm de ver se fazem alguma adaptação ou não».

Questionada sobre como se pode transmitir confiança aos portugueses, numa situação como esta, a ministra responde: «Nós nunca sabemos tudo sobre um fenómeno novo, que é uma doença nova, para o qual a melhor resposta continua a ser a vacinação».

«Há que assumir falar frontalmente às pessoas que nos estão a ouvir lá em casa, que são cada vez mais cidadãos informados, que sabem fazer escolhas em relação à sua saúde», afirmou sublinhando: «Da mesma forma que lhes pedimos que fiquem em casa, que usem máscara, que se protejam, dizemos aquilo que sabemos sobre esta situação. A vacina é segura e é eficaz», concluiu.

Recorde-se que ontem as autoridades de saúde portuguesas determinaram a a suspensão da vacina da AstraZeneca a menores de 60 anos. Em causa está a confirmação avançada na quarta-feira por parte da Agência Europeia do Medicamento (EMA), de uma «possível ligação» entre a vacina AstraZeneca e os casos incomuns de coagulação sanguínea relatados em algumas pessoas que receberam a vacina. Ainda assim, o regulador mantém uma avaliação positiva sobre o seu benefício, sublinhando que supera os riscos.

De acordo com o regulador europeu, estes casos muito raros de coágulos de sangue ocorreram, principalmente, em mulheres com menos de 60 anos de idade no prazo de duas semanas após a vacinação, embora não se tenha chegado a qualquer conclusão sobre fatores de risco específicos.

Portugal segue exemplo de vários países

A revelação da EMA levou vários países, a nível global, a impor limites suspendendo a vacinação com a AstraZeneca em determinadas faixas etárias, restringindo o seu uso apenas aos mais velhos, tal como aconteceu em Portugal.

É o caso de Espanha que anunciou que vai continuar a administrar a vacina, mas apenas à população com mais de 60 anos, a mesma medida vai ser adotada pela Alemanha, Países Baixos, Itália, Estónia, Filipinas e Austrália. Outros países europeus tomaram medidas semelhantes, França e Bélgica decidiram destinar a vacina da AstraZeneca a pessoas com 55 anos ou mais. Já a Dinamarca anunciou que vai deixar de administrar a vacina.

Antes de serem conhecidos estes dados, a Coreia do Sul e o Canadá já tinham suspendido a vacinação com AstraZeneca a pessoas com menos de 60 e 55 anos, respetivamente, e a Finlândia e a Suécia estão a administrar a vacina desde o final de março apenas à população com mais de 65 anos.

A Alemanha também limitou, no final do mês de março, o uso da injeção a pessoas com mais de 60 anos e grupos de alta prioridade, após relatos de um raro distúrbio no sangue cerebral. A 1 de abril, a comissão de vacinas da Alemanha recomendou que as pessoas com menos de 60 anos que receberam a primeira injeção da vacina da AstraZeneca recebessem um produto diferente para a segunda dose.

Na quarta-feira, o Regulador britânico assumiu pela primeira vez os efeitos adversos causados pela vacina da universidade de Oxford e recomendou que a maioria das pessoas com menos de 30 anos deve receber uma vacina alternativa à da AstraZeneca, «sempre que possível».

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