Marque no calendário: os principais fenómenos astronómicos a não perder em 2026

O ano de 2026 promete ser particularmente rico em eventos celestes, com chuvas de meteoros de alto nível, eclipses totais e encontros planetários distribuídos ao longo do calendário. Desde o início do ano até ao final, os observadores do céu poderão assistir a espetáculos únicos, incluindo fenômenos que só ocorrem uma vez em várias décadas em determinados locais.

Pedro Gonçalves
Dezembro 29, 2025
13:14

O ano de 2026 promete ser particularmente rico em eventos celestes, com chuvas de meteoros de alto nível, eclipses totais e encontros planetários distribuídos ao longo do calendário. Desde o início do ano até ao final, os observadores do céu poderão assistir a espetáculos únicos, incluindo fenômenos que só ocorrem uma vez em várias décadas em determinados locais.

3 a 4 de janeiro: chuva de meteoros Quadrântidas
O ano começa com as Quadrântidas, uma chuva de meteoros conhecida por oferecer dezenas de estrelas cadentes por hora. No entanto, a Lua Cheia da noite de 3 de janeiro poderá ofuscar os meteoros mais fracos, limitando a visibilidade.

Outro ponto a considerar é que o pico da chuva dura apenas cerca de seis horas, em comparação com outros eventos que se estendem por vários dias. Diferente das Perseidas ou Geminídeas, os meteoros das Quadrântidas não apresentam rastos longos e cintilantes, embora exista uma pequena possibilidade de observar uma bola de fogo brilhante.

Para 2026, contudo, os astrónomos recomendam não esperar grandes espetáculos visuais e ponderam que vale pouco passar muitas horas ao ar livre apenas para observar este fenómeno.

29 de janeiro: conjunção entre Vénus e Mercúrio
No final de janeiro, Vénus e Mercúrio estarão próximos no céu, visíveis no Oeste-Sudoeste imediatamente após o pôr do Sol. Este encontro planetário oferece uma boa oportunidade para observadores e fotógrafos registarem os dois planetas juntos, embora seja necessário um horizonte limpo e condições atmosféricas favoráveis.

3 de março: eclipse lunar total
No início da manhã de 3 de março, ocorrerá um eclipse lunar total visível em toda a América do Norte.

Costa Leste: início às 4h50 (hora local), totalidade às 6h04, com a Lua a pôr-se às 6h28, ainda iluminada pela sombra vermelha da Terra.

Costa Oeste: totalidade visível entre as 3h04 e 4h02 (hora local), com duração de 58 minutos.

Em Portugal, este eclipse não será visível.

Os eclipses lunares ocorrem quando a Terra se coloca entre o Sol e a Lua, projetando a sua sombra sobre o nosso satélite natural. A tonalidade vermelha da Lua resulta da luz solar que atravessa a atmosfera terrestre, filtrando comprimentos de onda curtos e deixando passar apenas cores avermelhadas – o mesmo fenómeno que dá cor ao pôr e nascer do Sol.

A intensidade do vermelho pode variar consoante o grau de poluição atmosférica, medido pela Escala de Danjon, que classifica a cor da Lua durante o eclipse. Um exemplo histórico ocorreu após a erupção do Monte Pinatubo em 1991, quando o eclipse lunar total de 1992 apresentou uma cor castanho muito escura, quase invisível em alguns locais.

12 de agosto: eclipse solar total
Um dos eventos mais aguardados de 2026 será o eclipse solar total de 12 de agosto, visível na Gronelândia oriental, extremo ocidental da Islândia e Espanha.

Duração da totalidade: até 2 minutos e 18 segundos.

Em Espanha, o eclipse será visível durante um máximo de 1 minuto e 50 segundos, incluindo a fase ao pôr do Sol, que termina em Palma de Maiorca.

Durante um eclipse solar, a Lua bloqueia totalmente a luz do Sol em determinadas regiões, causando um súbito anoitecer. Este tipo de evento é extremamente raro em locais fixos, com intervalos que podem chegar a 375 anos entre eclipses totais na mesma área.

12 a 13 de agosto: chuva de meteoros Perseidas
Na mesma altura, ocorrerá a famosa chuva de meteoros Perseidas, considerada a melhor do ano.

Fase lunar: Lua Nova, garantindo céu escuro e sem interferência de luar.

Origem: detritos do cometa Swift-Tuttle.

Velocidade: cerca de 60 km/s.

Observação: em condições ideais, podem ser vistas mais de 50 estrelas cadentes por hora, com grande variedade de cores e luminosidade.

As Perseidas oferecem um espetáculo visual intenso e são uma excelente oportunidade para observação noturna, principalmente nas regiões com pouca poluição luminosa.

13 a 14 de dezembro: chuva de meteoros Geminídeas
Para encerrar o ano, as Geminídeas prometem um espetáculo impressionante:

Velocidade: cerca de 35 km/s, um pouco mais lenta que as Perseidas, permitindo rastos mais longos no céu.

Cores: verde-esmeralda, violeta, âmbar e branco.

Fase lunar: Lua Crescente, garantindo mínima interferência de luar.

Observação: possibilidade de mais de 50 meteoros por hora, oferecendo uma das experiências visuais mais deslumbrantes de 2026.

As Geminídeas destacam-se não só pela quantidade, mas também pela beleza dos rastos, proporcionando um encerramento de ano celeste memorável para astrónomos amadores e profissionais.

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