Marinha francesa reforça treinos e prepara-se para guerra naval contra inimigo que “quer destruir-nos”

Contra-almirante Jacques Mallard, comandante do grupo de batalha de porta-aviões francês, é o responsável pelo grupo de batalha de porta-aviões francês ‘Charles de Gaulle’, o único da UE com propulsão nuclear

Francisco Laranjeira
Abril 11, 2024
17:51

França está a desviar o treino da sua Marinha de operações de policiamento para preparação para uma guerra contra inimigos que querem “destruir-nos”, indicou o contra-almirante Jacques Mallard, comandante do grupo de batalha de porta-aviões francês.

Quando ingressou nas forças armadas, na década de 1990, as principais missões da marinha francesa eram intercetar traficantes de drogas e combater a pesca ilegal. Agora, o treino concentra-se na guerra, destacou. “O combate naval está a tornar-se cada vez mais provável”, salientou, em declarações ao jornal ‘POLITICO’. “Estamos a passar de um mundo onde éramos bastante livres para fazer o que quiséssemos, para um mundo onde nos sentimos ameaçados com maior regularidade, em particular no que chamamos guerra de alta intensidade”, indicou.

A França é o único país da UE que opera um porta-aviões com propulsão nuclear – o ‘Charles de Gaulle’, que também transporta armas nucleares: é o navio-bandeira de um grupo de batalha de porta-aviões mais amplo que inclui submarinos nucleares, fragatas e caças Rafale, que deverá iniciar uma missão no Mar Mediterrâneo nos próximos dias.

Com a guerra da Rússia contra a Ucrânia também a alastrar-se para o Mar Negro e os rebeldes Houthi apoiados pelo Irão a atacarem incansavelmente navios de guerra e comerciais no Mar Vermelho, as marinhas ocidentais têm de se adaptar a um novo ambiente com “concorrentes cada vez mais desinibidos”, avisou Mallard. “É aí que nos tornamos um pouco mais agressivos, ou pelo menos nos preparamos para ser.”

De acordo com o contra-almirante, os marinheiros franceses treinam agora combate contra “alguém que nos quer destruir. Não alguém que quer fazer tráfico ilegal, não alguém que quer roubar peixe, não alguém que nos quer vigiar ou observar: alguém que nos quer destruir”, sustentou.

Embora a França esteja a preparar-se para uma guerra de alta intensidade no mar, Paris não vê a China como uma ameaça imediata – ao contrário dos Estados Unidos. “Enquanto os chineses não invadirem a ilha da Reunião ou decidirem expulsar-nos da ilha de Mayotte, não há razão para apontar os chineses como o nosso principal adversário”, concluiu, referindo-se aos territórios insulares franceses do Oceano Índico.

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