O tribunal de Paris começa hoje a julgar a líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, acusada de “insulto público” após ter associado uma jovem italiana de origem marroquina ao islamismo radical. A polémica remonta a 2019, quando Yasmine Ouirhrane foi distinguida pela Fundação Schwarzkopf como “Jovem Europeia do Ano” e surgiu numa fotografia com um véu e uma bandeira da União Europeia.
Nessa altura, Le Pen, então deputada e presidente da União Nacional (antiga Frente Nacional), reagiu nas redes sociais com uma mensagem em que acusava a fundação de promover o “islamismo radical” na Europa. As declarações geraram uma onda de indignação e motivaram uma queixa judicial apresentada pela própria Ouirhrane, que considerou os comentários discriminatórios e profundamente ofensivos.
As acusações e o contexto do caso
A jovem, que na altura tinha 23 anos e estudava na universidade Sciences Po de Bordéus, apresentou queixa por “insulto público baseado na origem, etnia, nacionalidade, raça ou religião”. O tribunal francês vai agora avaliar se as declarações de Marine Le Pen configuram um ato de discriminação e incitamento ao ódio.
Yasmine Ouirhrane foi distinguida em 2019 pela Fundação Schwarzkopf pelo seu “compromisso com a igualdade de género e com a igualdade de oportunidades para migrantes na Europa”. O prémio incluía a possibilidade de realizar um estágio numa instituição europeia ou internacional. A jovem era já reconhecida no meio académico e associativo pelo seu papel como coordenadora do YO!Fest 2018, um festival europeu de debates e intercâmbio juvenil que reuniu cerca de oito mil jovens em Estrasburgo.
Após o anúncio do prémio, Ouirhrane publicou uma fotografia nas redes sociais, onde aparecia com um véu e segurava a bandeira europeia. A imagem tornou-se viral — e foi essa publicação que desencadeou a reação de Marine Le Pen, que a classificou como “promoção do islamismo radical” na União Europeia.
Depois da publicação de Le Pen, Yasmine Ouirhrane afirmou em várias entrevistas que foi alvo de uma campanha de ódio nas redes sociais. Disse ter recebido inúmeras mensagens ofensivas e acusações de simpatizar com o jihadismo. “Fui injustamente associada ao terrorismo apenas por usar o meu véu”, declarou a jovem em declarações citadas pela imprensa francesa.
Nascida em Biella, no norte de Itália, Ouirhrane é filha de pai marroquino e mãe italiana. Mudou-se para França aos 15 anos e estabeleceu-se em Grenoble, onde descobriu a sua paixão pela literatura francesa. Fluente em francês, italiano, árabe, espanhol e inglês, viria mais tarde a ser distinguida, em 2018, pela organização nova-iorquina Woman Deliver como “Jovem Líder pela Igualdade de Género”.














