Marcelo avisa que quem tentar dividir pela força mundo em hemisférios irá falhar

O Presidente da República avisou hoje que quem tentar “refazer pela força a divisão do mundo em hemisférios como no passado” irá falhar e afirmou que as alianças “valem mais do que a espuma, mesmo sedutora, de cada dia”.

Executive Digest com Lusa
Janeiro 21, 2026
12:15

O Presidente da República avisou hoje que quem tentar “refazer pela força a divisão do mundo em hemisférios como no passado” irá falhar e afirmou que as alianças “valem mais do que a espuma, mesmo sedutora, de cada dia”.

“Não há quem consiga hoje refazer pela força a divisão do mundo em hemisférios como no passado e sonhar controlar o seu hemisfério, ou resolver problemas universais por si só. Falhará quem o tente no século XXI, como falharam outros no século XX”, avisou Marcelo Rebelo de Sousa num discurso no Parlamento Europeu na sessão comemorativa dos 40 anos da adesão de Portugal e Espanha à então Comunidade Económica Europeia (CEE).

Marcelo Rebelo de Sousa referia-se a declarações do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, após a captura do chefe de Estado da Venezuela, Nicolás Maduro, no início de janeiro, afirmou que “o domínio americano no hemisfério ocidental nunca mais será questionado”.

Novamente numa alusão a Trump, o Presidente da República pediu que “não se invoque o bilateralismo, que verdadeiramente é unilateralismo – que é uma forma de enfraquecer o multilateralismo e as instituições internacionais – sem que quem deseja exercer essa hegemonia, esse controlo, tenha condições para o fazer como sonha ou afirma”.

“E não há como fazê-lo ignorando a Europa, o seu poder nos valores, na justiça social e na economia mundial porque a Europa ainda é e será sempre o berço da democracia, o farol das liberdades, o esteio do Estado de Direito, a referência do estado social”, afirmou.

Perante os eurodeputados e o Rei de Espanha, que também discursou nesta sessão, Marcelo Rebelo de Sousa salientou que os portugueses “são europeus sempre, transatlânticos sempre, universais sempre”.

“Avancemos, pois, recriemo-nos no que for necessário, que os aliados e os parceiros que desejamos virão, como sempre vieram, quando entenderem que não há senhores únicos do globo, que não há poderes eternos e que as nossas alianças e parcerias valem mais do que a espuma, mesmo espetacular, mesmo sedutora, de cada dia”, disse, recebendo aplausos do hemiciclo.

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