Mais horas, trânsito mais intenso e mais carros: hora de ponta em Lisboa já não é o que era

A hora de ponta em Lisboa mudou: já não é a lógica 9h-17h devido às mudanças no mercado de trabalho e na organização das empresas, que alteraram o padrão

Automonitor
Setembro 22, 2025
12:16

A hora de ponta em Lisboa mudou: já não é a lógica 9h-17h devido às mudanças no mercado de trabalho e na organização das empresas, que alteraram o padrão.

Segundo Fernando Nunes Silva, especialista em mobilidade e professor catedrático em Engenharia Civil no Instituto Superior Técnico (IST), agora existem “períodos de ponta”, ou seja, blocos de tempo, cada vez mais extensos, em que as estradas estão saturadas de trânsito. Assim atualmente, há três períodos em consideração: de manhã, entre as 7h30 e 9h30, à tarde, entre as 16h30 e 20h30, e na pausa do almoço, entre as 12 e as 14 horas.

“O setor bancário e financeiro foi dos primeiros a introduzir horários diferenciados. Isso teve como consequência o alargamento do período de ponta. Foi qualquer coisa que começou logo nos anos 70, 80”, frisou o especialista, citado pela publicação ‘A Mensagem’. Depois, chegaram as jornadas contínuas, que permitiram que muitos trabalhadores saíssem mais cedo e, por isso, distribuíssem os picos de trânsito ao longo de mais horas.

No entanto, a grande mudança veio com a pandemia da Covid-19: o teletrabalho acentuou essa transformação: com uma parte significativa da população com modelos híbridos, são criadas variações semanais e até diárias no trânsito. Até na hora do almoço. “É bastante frequente que nos períodos de almoço as pessoas o utilizem para fazer um tipo de atividade e isso criou um conjunto de movimentações durante essa pausa, digamos assim, a meio do dia, que antes não era tão expressiva”, apontou Fernando Silva. A juntar-se a esta mobilidade pessoal, há também o chamado trânsito “invisível” que alimenta o período de ponta: os serviços, as entregas e as entregas rápidas.

O número de carros que entram em Lisboa diariamente também mudou: segundo o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), mais de 390 mil carros entram diariamente em Lisboa pelas principais vias — como Ponte 25 de Abril, Ponte Vasco da Gama, A5, A8, IC16, IC19, entre outras. São aproximadamente mais 20 mil carros desde 2017, ano em que a estimativa era de 370.800 entradas diárias.

Segundo o índice ‘Urban Mobility Index’, Lisboa é uma das capitais europeias com mais tempo perdido em engarrafamentos. Assim, de acordo com a empresa de dados INRIX, cada condutor na cidade perdeu em 2024 cerca de 60 horas preso no trânsito. É o equivalente a uma semana e meia de trabalho. São mais 5% do que em 2023 e 28% acima de 2022.

Outros estudos, com índices calculados de forma diferente, põem Lisboa com níveis de congestionamento moderados no contexto europeu. No Índice TomTom 2024, aparece com um nível de 26%, partilhando a terceira melhor posição na União Europeia com Copenhaga e Amesterdão.

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