Mais de metade das empresas portuguesas tem dificuldades na atração de talento qualificado, revela estudo da ManpowerGroup

Num mundo do trabalho cada vez mais competitivo, a capacidade de atrair e reter talento qualificado tornou-se um tema central para as empresas

Executive Digest
Setembro 29, 2025
12:23

Num mundo do trabalho cada vez mais competitivo, a capacidade de atrair e reter talento qualificado tornou-se um tema central para as empresas. A evolução das necessidades dos negócios, a complexidade das funções e a crescente digitalização dos processos de recrutamento têm alterado a forma como empregadores e candidatos interagem, exigindo uma atenção reforçada por parte das organizações.

Assim, no seguimento do lançamento do mais recente ‘ManpowerGroup Employment Outlook Survey’, o ManpowerGroup partilha a perceção dos empregadores sobre os seus processos de recrutamento e o alinhamento – ou desconexão – entre a visão das empresas e a experiência dos candidatos.

Mais de metade das empresas portuguesas têm dificuldade em atrair candidatos qualificados

Atrair candidatos qualificados surge como o maior desafio para os empregadores nacionais, sendo identificado por 55% das empresas inquiridas. Este cenário está alinhado com a realidade global, onde 46% dos empregadores enfrentam o mesmo desafio.

Em Portugal, além da atração de talento qualificado, entre as maiores dificuldades encontram-se o preenchimento de funções técnicas complexas (33%), a melhoria da experiência do candidato durante o processo de recrutamento (26%) e a limitação de recursos disponíveis e redução do tempo de contratação (ambos com 21%). Estes resultados acompanham a tendência global, onde 29% dos empregadores apontam a complexidade técnica das funções como entrave, 26% destacam a necessidade de melhorar a experiência dos candidatos e 22% referem a escassez de recursos.

Ao contrário do que poderia ser esperado, a adoção de novas tecnologias, nomeadamente ferramentas de inteligência artificial (IA) aplicadas ao recrutamento, ainda representa um obstáculo limitado em Portugal, com apenas 17% dos empregadores nacionais a destacar dificuldades em acompanhar as mais recentes inovações neste campo, enquanto 14% referem desafios associados à utilização prática dessas ferramentas pelos candidatos. A nível global, estes números são mais elevados, de 23% e 22%, respetivamente.

Falta de talento qualificado e complexidade técnica das funções lideram preocupações setoriais

A atração de candidatos qualificados é o principal desafio para as empresas nacionais de todos os setores, exceto para as empresas de Energia e Utilities, onde a maior dificuldade se prende com o preenchimento de funções técnicas complexas (43%). A complexidade das funções surge igualmente como um dos principais entraves ao recrutamento para muitos setores, sendo o segundo fator mais referido pelos empregadores de Serviços de Comunicação, Finanças e Imobiliário, Indústria Pesada e Materiais, Tecnologias de Informação e Transportes, e Logística e Automóvel, com valores entre os 32% e os 42%.

Já a importância de melhorar a experiência do candidato é o terceiro desafio destacado por todos os setores nacionais, exceto pelas empresas de Energia e Utilities e Cuidados de Saúde e Ciências da Vida, que mencionam a redução do tempo de contratação, com 40% e 25%, respetivamente. Ainda em Portugal, o setor de Serviços de Comunicação é o que mais aponta o desafio do uso de IA pelos candidatos (26%), seguido dos setores de Energia e Utilities e Finanças e Imobiliário, ambos a registarem 21%. Neste âmbito, a realidade global é semelhante, com destaque também para o setor de Tecnologias de Informação (29%). Já no que respeita à aprendizagem das mais recentes ferramentas de recrutamento com IA, os setores de Tecnologias de Informação e de Finanças e Imobiliário destacam este fator como um dos principais desafios, tanto em Portugal (27% e 21%, respetivamente), como a nível global (29% e 28%, respetivamente).

Empregadores mantêm confiança nos seus processos de contratação, mas quase metade dos candidatos sentem-se ignorados durante os processos de recrutamento

Apesar de a atração de candidatos qualificados se manter como o maior desafio para as empresas em Portugal, os empregadores revelam uma perceção relativamente positiva sobre a eficácia dos seus processos de recrutamento. Mais de metade (51%) afirma sentir-se confiante de que consegue selecionar as pessoas certas para as funções certas. De facto, 11% classificam o seu processo de recrutamento como excelente, 40% como bom e 38% como aceitável. Apenas 11% dos empregadores nacionais admitem fragilidades.

A nível global, o otimismo é ainda mais expressivo: 67% dos empregadores confiam na eficácia dos seus processos de contratação, com 19% a descrevem-nos como excelentes e 48% como bons, e apenas 5% a reconhecem debilidades. Contudo, a perceção dos candidatos revela uma realidade diferente, que traduz uma desconexão entre empregadores e candidatos, num momento em que apenas 26% das empresas, a nível global, identificam a melhoria da experiência do candidato como um desafio prioritário na aquisição de talento.

De facto, o estudo Experiência do Candidato, da Criterea, mostra que quase metade dos candidatos (48%) sente ter sido ignorada no último ano durante a procura de emprego, enquanto 30% apontam o preenchimento das candidaturas como o ponto mais frustrante do processo. Além disso, 45% referem que a elevada concorrência dificulta a sua progressão, e 31% demonstram sentimentos negativos em relação ao uso de IA pelas empresas, refletindo receios de exclusão arbitrária ou injusta.

Estes dados evidenciam um fosso entre a confiança das empresas na eficácia dos seus processos e as dificuldades reais enfrentadas pelos candidatos, sinalizando a necessidade de maior atenção à experiência do candidato como fator estratégico de atração de talento.

O estudo trimestral do ManpowerGroup entrevistou 40.533 empregadores, em 42 países e territórios.

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