Mais de 4 mil casos desde 2023: Burlas com casas de férias disparam e estão cada vez mais sofisticadas

O fenómeno, embora mais frequente nos grandes centros urbanos e zonas turísticas, está disseminado por todo o território nacional, com destaque para os distritos de Faro, Porto e Braga.

Revista de Imprensa
Julho 25, 2025
9:54

As burlas no arrendamento de casas de férias em Portugal tornaram-se mais sofisticadas, perigosas e difíceis de detetar. Desde 2023 e até 30 de junho deste ano, a PSP e a GNR contabilizaram 4237 casos de falso arrendamento para turismo, segundo dados obtidos pelo Jornal de Notícias. O fenómeno, embora mais frequente nos grandes centros urbanos e zonas turísticas, está disseminado por todo o território nacional, com destaque para os distritos de Faro, Porto e Braga.

A Polícia de Segurança Pública registou, sozinha, 3801 queixas neste período, enquanto a GNR somou 436 casos, com a detenção de 101 indivíduos e a identificação de outros 311 suspeitos. No primeiro semestre de 2025, o número de denúncias aumentou 17% face ao mesmo período do ano anterior, o que leva as autoridades a considerar que o problema continua a agravar-se. “As burlas em plataformas de alojamento online tornaram-se um problema crescente, cujo esquema fraudulento induz as vítimas a pagar antecipadamente por imóveis inexistentes ou já ocupados”, alertou a PSP.

A generalização da reserva de casas através das redes sociais e plataformas digitais facilitou o trabalho dos burlões, que exploram lacunas nos sistemas de segurança e recorrem a métodos cada vez mais elaborados. A GNR frisa que “não existe um modus operandi único”, havendo múltiplas estratégias usadas para enganar turistas, desde anúncios em sites de aparência credível a contactos diretos com vítimas após ataques informáticos. Um desses casos foi o de Desirêe Galvão, de 33 anos, que, após reservar um alojamento legítimo em Cascais, foi vítima de um esquema de phishing via WhatsApp que lhe custou mais de 500 euros — posteriormente recuperados graças a um seguro bancário.

Eduardo Miranda, presidente da Associação do Alojamento Local em Portugal, sublinha que estas fraudes revelam a importância de reservar apenas em estabelecimentos licenciados e através de plataformas oficiais. “A primeira indicação que damos é consultar o número de registo do AL e evitar negociações em redes sociais ou fora de sites reconhecidos”, disse, acrescentando que muitos consumidores são aliciados por preços demasiado baixos e ignoram sinais de alerta como a recusa em emitir fatura.

A Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO) também confirma receber “várias denúncias anuais” de burlas relacionadas com arrendamentos turísticos e apela à vigilância dos consumidores. Com base nas recomendações das autoridades,  aconselha-se a verificar sempre o número de registo no Turismo de Portugal, desconfiar de preços irrealistas e guardar todas as comunicações em caso de necessidade de denúncia ou reclamação bancária.

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