O ano de 2024 registou um aumento significativo no número de vítimas mortais em acidentes de avião, com mais de 300 pessoas a perderem a vida em desastres aéreos. Apesar do balanço ser o mais elevado desde 2018, especialistas garantem que o transporte aéreo continua a ser estatisticamente seguro, com uma taxa de acidentes mortais próxima de zero.
Nos últimos meses, o setor da aviação foi abalado por uma série de acidentes fatais em várias partes do mundo. Entre os desastres mais mediáticos encontram-se a queda de um Boeing 737 na Coreia do Sul, de um Embraer 90 no Azerbaijão e de um ATR 72-500 no Brasil.
No total, 302 pessoas perderam a vida em acidentes aéreos em 2024 (excluindo voos charter e aviação privada). Este número representa um aumento face aos anos anteriores e faz de 2024 o ano com mais vítimas desde 2018, quando 518 pessoas morreram em acidentes de avião.
Este agravamento parece interromper a tendência de melhoria contínua da segurança aérea que se vinha a verificar desde a pandemia de COVID-19. No entanto, especialistas garantem que, apesar da perceção pública, os riscos reais de viajar de avião continuam extremamente baixos.
A perceção de perigo e a realidade estatística
A cada acidente, as redes sociais e os meios de comunicação difundem rapidamente imagens e vídeos do desastre, criando um impacto emocional que pode reforçar o medo de voar. No entanto, estatisticamente, a probabilidade de morrer num acidente aéreo continua a ser mínima.
Arnold Barnett, professor de estatística na Sloan School of Management do MIT, explicou ao The New York Times que a recente sequência de acidentes não deve ser encarada como uma tendência de aumento da insegurança aérea, mas sim como um conjunto de eventos isolados.
“Todos os dias, em média, 12 milhões de pessoas embarcam num avião. Na esmagadora maioria das vezes, nenhum passageiro se magoa, muito menos morre,” afirmou Barnett.
Em 2024, a taxa de acidentes foi de aproximadamente 1,2 por cada milhão de voos, com uma probabilidade de acidente mortal a rondar os 0,1 por milhão. Há uma década, esse valor era quase o dobro: 2,15 acidentes por milhão de voos.
Para efeitos de comparação, o Conselho Nacional de Segurança dos EUA (National Safety Council) estima que a probabilidade de uma pessoa morrer num acidente de viação ao longo da vida seja de 1 em 95, um risco significativamente maior do que o de um acidente de avião.
Questões de segurança e os desafios nos Estados Unidos
Apesar dos números tranquilizadores, algumas preocupações persistem, especialmente nos Estados Unidos, onde se registou um aumento no número de incidentes aéreos – ainda que nem todos tenham sido fatais.
Kyra Dempsey, especialista em segurança aérea, apontou num blogue dedicado a acidentes de aviação que as recentes dificuldades da Administração Federal de Aviação (FAA) norte-americana poderão estar a contribuir para esta tendência. Entre os problemas identificados, destacam-se os cortes orçamentais e a escassez de controladores de tráfego aéreo, uma questão que tem sido alvo de debate entre especialistas do setor.
Medidas para aumentar a segurança dos passageiros
Embora a aviação continue a ser o meio de transporte mais seguro, os especialistas recomendam algumas precauções para minimizar ainda mais os riscos durante os voos.
Uma das principais recomendações é manter sempre o cinto de segurança apertado, mesmo quando o aviso de afivelamento está desligado, uma vez que turbulências inesperadas podem causar ferimentos graves. Além disso, apesar de muitos passageiros ignorarem as instruções de segurança antes da descolagem, os especialistas reforçam a importância de prestar atenção a estas diretrizes.
Os assistentes de bordo recebem formação anual sobre procedimentos de emergência, incluindo a gestão de passageiros indisciplinados, combate a incêndios a bordo e evacuações de emergência, seja em terra ou na água. Estas medidas garantem que a tripulação está preparada para responder eficazmente a qualquer situação inesperada.
Apesar do aumento do número de vítimas em acidentes aéreos em 2024, a segurança da aviação comercial continua a ser incomparavelmente superior à de outros meios de transporte. O impacto emocional causado pela mediatização dos acidentes pode alimentar o receio de voar, mas as estatísticas continuam a demonstrar que o avião permanece o meio de transporte mais seguro do mundo.














