Portugal contabilizou, pelo menos, 108 homicídios dolosos consumados ao longo de 2025, o valor mais elevado dos últimos sete anos, apenas superado em 2018, quando foram registadas 110 mortes. O último caso ocorreu a menos de duas horas do final do ano, na praia da Leirosa, na Figueira da Foz, e teve origem num conflito familiar, encerrando um ano marcado por uma escalada da violência letal.
De acordo com informação apurada pelo Jornal de Notícias (JN), este número representa um agravamento significativo face aos anos mais recentes. Em 2024, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), foram registados 89 homicídios, valor idêntico ao de 2019, enquanto em 2023 se contabilizaram 90 casos, em 2022 foram 97, em 2021 um total de 85 e, em 2020, 93 mortes violentas.
A tendência de subida tornou-se evidente ainda antes do final do ano. Em agosto, já era indicado que o número de homicídios em 2025 se aproximava rapidamente do total registado em 2024, com base nos inquéritos então abertos pela Polícia Judiciária. Em meados de outubro, esse valor foi ultrapassado, confirmando uma evolução considerada preocupante pelas autoridades e observadores do fenómeno criminal.
Desde esse período e até ao final do ano, pelo menos mais 14 pessoas foram assassinadas em 12 concelhos diferentes, entre os quais Vagos, Alcobaça, Arraiolos, Montijo, Oeiras, Vila Franca do Campo, Odivelas, Lagos, Amadora, Braga, Ourique, Tomar e Figueira da Foz. Esta dispersão geográfica reforça a dimensão nacional do problema e afasta a ideia de uma concentração regional da criminalidade violenta.
Do total de homicídios registados em 2025, pelo menos 24 vítimas eram mulheres, assassinadas até 15 de novembro, segundo dados do Observatório de Mulheres Assassinadas da União de Mulheres Alternativa e Resposta. Este indicador sublinha o peso persistente da violência letal contra mulheres no contexto da criminalidade grave em Portugal.
Os dados oficiais e consolidados relativos à criminalidade de 2025, nomeadamente aos homicídios voluntários consumados, só serão conhecidos com a divulgação do próximo Relatório Anual de Segurança Interna, prevista para o segundo trimestre deste ano. Até lá, os números agora apurados permanecem provisórios e poderão sofrer alterações, uma vez que alguns casos ainda estão sob investigação ou podem vir a ser reclassificados.
Ainda assim, mantendo-se a tendência observada nos últimos anos, o homicídio doloso continua a ocorrer maioritariamente entre homens e, em muitos casos, envolve uma relação prévia entre agressor e vítima, seja de natureza familiar, de vizinhança ou de conhecimento pessoal. As armas brancas permanecem como o meio mais utilizado, seguidas das armas de fogo, confirmando a prevalência de instrumentos letais de fácil acesso. Questionada sobre estes números, a Polícia Judiciária optou por não os confirmar nem desmentir, remetendo qualquer esclarecimento para a publicação oficial do RASI.














