O congestionamento rodoviário voltou a agravar-se em 2025 na maioria das grandes cidades do mundo, confirmando uma tendência que se tem vindo a consolidar nos últimos anos. Os dados mais recentes do Índice de Tráfego da TomTom mostram que circular nas zonas urbanas nunca foi tão difícil, com tempos de deslocação mais longos e redes viárias cada vez mais pressionadas pelo crescimento das cidades e pelo aumento da mobilidade.
O estudo, que monitoriza há mais de 15 anos o comportamento do tráfego minuto a minuto em centenas de cidades, conclui que o congestionamento piorou de forma generalizada, tanto em termos de nível de congestionamento como no tempo médio de viagem por quilómetro. A exceção continua a ser residual: entre quase 500 cidades analisadas em 2025, apenas 34 registaram melhorias nos tempos de deslocação face ao ano anterior.
Entre as cidades onde o trânsito se tornou mais lento encontram-se algumas das maiores metrópoles globais, como Londres, Barcelona, Atenas, Milão, Dublin, Cidade do México, São Francisco, Bengaluru ou Hiroshima, confirmando o caráter universal do problema.
Portugal foi considerado o 15º país mais congestionado da Europa, num ranking liderado por Malta e Grécia. O Porto foi a cidade nacional em destaque, com um nível de congestionamento de 46,9%, sendo que os portuenses perderam 102 horas na hora de ponta. Segue-se Lisboa (39%, 95 horas perdidas) e Funchal (34,7%, 69 horas perdidas). A fechar o top nacional estão Braga (33,6%), Coimbra (31%) e Faro (27,5%).
Noutro parâmetro, se conduzir durante 15 minutos em Lisboa, faz 8,6 km – já na hora de ponta, reduz para apenas 5 km. No Porto, os mesmos 15 minutos dão para fazer 10,7 km, sendo que baixa para 5,5 km na hora de ponta. Braga desce de 11,2 para 6,6 km neste ranking.
Menos congestionamento nem sempre significa viagens mais rápidas
O Índice de Tráfego da TomTom sublinha que o congestionamento não se mede apenas pela velocidade média. Em 125 cidades, o chamado nível de congestionamento melhorou em 2025, sugerindo uma maior fluidez do tráfego. No entanto, essa evolução deve ser lida com cautela.
Em muitos casos, as melhorias estão associadas a mudanças estruturais, como a redução de limites de velocidade, a introdução de ciclovias ou a reconfiguração do espaço urbano para favorecer o transporte público. Estas alterações podem aumentar o tempo de viagem em condições ideais, fazendo com que o congestionamento aparente diminuir sem que os tempos reais de deslocação se tornem, de facto, mais curtos.
Isso explica por que motivo, das 125 cidades com melhor desempenho no nível de congestionamento, apenas 24 conseguiram reduzir o tempo médio de viagem por quilómetro, e só 11 melhoraram também os tempos em condições de fluxo livre. Para os condutores, a sensação de melhoria pode, por isso, ser limitada.
As cidades onde o trânsito deu sinais de melhoria
Entre as poucas cidades onde o trânsito melhorou de forma mensurável está Sapporo, no Japão, que em 2025 conseguiu reduzir em um segundo o tempo médio de viagem por quilómetro, após um ano marcado por condições meteorológicas adversas. Na Europa, Groningen, nos Países Baixos, e Kiel, na Alemanha, registaram as maiores melhorias, com reduções de 14 e 10 segundos, respetivamente. Paris e Toulon também apresentaram ligeiras descidas.
Nova Iorque surge como um dos casos mais emblemáticos. Apesar de ser uma das cidades mais movimentadas do planeta, conseguiu reduzir em 1% o tempo médio de deslocação por quilómetro, um resultado associado à introdução de uma taxa de congestionamento em Manhattan e ao reforço da infraestrutura ciclável. Ainda assim, os dados do segundo semestre de 2025 indicam um novo agravamento, levantando dúvidas sobre a sustentabilidade desta melhoria.
Onde o trânsito é mais lento e mais congestionado
Barranquilla, na Colômbia, lidera o ranking das cidades com piores tempos de deslocação, com 3 minutos e 40 segundos por quilómetro. Na Europa, Londres mantém o estatuto de cidade mais lenta, com um agravamento face a 2024 e um nível de congestionamento superior a 51%.
No que diz respeito ao nível de congestionamento, a Cidade do México ocupa o primeiro lugar mundial, seguida de Bengaluru, na Índia, e de Dublin, na Irlanda. Curiosamente, estas cidades nem sempre coincidem com as mais lentas em termos absolutos, mas são aquelas onde o tráfego mais penaliza a velocidade à medida que aumenta a pressão nas vias.
Cidades que mais desaceleraram em 2025
O maior agravamento registou-se em Salto, no Uruguai, onde o tempo médio de viagem aumentou mais de 12%. Também várias cidades norte-americanas, como Syracuse, Minneapolis e São Francisco, viram os tempos de deslocação aumentar de forma significativa. Em Innsbruck, na Áustria, o tempo médio por quilómetro subiu quase 7%, num sinal de que o fenómeno não se limita a grandes metrópoles.
Ainda assim, os autores do estudo sublinham que estes dados devem ser interpretados com cautela, uma vez que fatores temporários, como obras, eventos excecionais ou condições meteorológicas extremas, podem distorcer os resultados de um único ano.
Trânsito rápido… apesar do congestionamento
Los Angeles ilustra bem as contradições do tráfego urbano. É a cidade mais congestionada dos Estados Unidos em termos relativos, mas uma das mais rápidas em termos absolutos, graças à elevada proporção de autoestradas no seu centro urbano. Com velocidades médias elevadas, os tempos de viagem mantêm-se baixos, apesar de o congestionamento continuar a ser um problema estrutural.
Este modelo, contudo, reforça uma conclusão recorrente do relatório: a construção de mais vias rápidas não resolve o problema do trânsito a longo prazo.
Regiões metropolitanas sob pressão crescente
Para além dos centros urbanos, o Índice de Tráfego analisa também as áreas metropolitanas alargadas, onde o congestionamento tende a ser ainda mais difícil de contornar. Arequipa, no Peru, lidera este ranking, seguida de Bogotá e Mumbai. Em Barranquilla, o congestionamento é tão intenso que pouco difere entre o centro e a periferia, evidenciando um problema estrutural profundamente enraizado.
Um problema global sem solução simples
Os dados de 2025 confirmam que o trânsito continua a piorar à escala global. Ainda assim, a TomTom sublinha que muitas cidades estão a recorrer a dados detalhados para identificar gargalos e planear intervenções mais eficazes. Essas iniciativas mostram resultados pontuais, mas o desafio permanece.
À medida que as populações urbanas crescem em cidades que não foram concebidas para essa escala, o congestionamento tenderá a agravar-se, a menos que as decisões de mobilidade sejam cada vez mais baseadas em dados fiáveis e estratégias de longo prazo.














