O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, inicia esta terça-feira uma nova ronda de viagens internacionais com elevado peso estratégico e económico. O primeiro destino é Moscovo, onde o chefe de Estado brasileiro participará nas cerimónias oficiais dos 80 anos do “Dia da Vitória”, que assinala a capitulação da Alemanha nazi perante a então União Soviética, no final da Segunda Guerra Mundial.
Segundo confirmou a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da presidência brasileira, Lula permanecerá na capital russa entre os dias 8 e 10 de maio. Durante esta estadia, está previsto um encontro bilateral com o presidente da Federação Russa, Vladimir Putin. O momento reveste-se de particular sensibilidade diplomática, dado o contexto internacional marcado pela guerra na Ucrânia e pelas tensões entre o Ocidente e Moscovo.
Após a passagem pela Rússia, Lula segue para Pequim, onde terá lugar uma reunião com o presidente chinês, Xi Jinping, agendada para o dia 11 de maio. A etapa chinesa da viagem terá um foco marcadamente económico, refletindo o interesse do governo brasileiro em estreitar parcerias com a segunda maior economia mundial.
Entre os principais temas da agenda económica com a China está a Ferrovia Bioceânica — um projeto de grande envergadura que pretende ligar o Brasil ao oceano Pacífico, através de uma ligação ferroviária até ao porto de Chancay, no Peru. O objetivo passa por facilitar e acelerar o escoamento da produção brasileira, sobretudo de grãos, para os mercados asiáticos, reduzindo custos logísticos e tempo de transporte.
A infraestrutura portuária de Chancay, financiada por Pequim, foi inaugurada em novembro de 2023 numa cerimónia liderada por Xi Jinping. Esta obra é considerada estratégica tanto para os interesses comerciais chineses na América do Sul como para a diversificação das rotas de exportação brasileiras.
Na semana passada, o ministro da Casa Civil do Brasil, Rui Costa, deslocou-se a Pequim para adiantar os entendimentos diplomáticos e técnicos sobre este projeto. A Ferrovia Bioceânica, no entanto, é vista por Brasília como um empreendimento ambicioso e de longo prazo, dada a complexidade técnica, financeira e ambiental que envolve.
Tanto a Rússia como a China integram, juntamente com o Brasil, o grupo BRICS, bloco de países emergentes com crescente influência nos equilíbrios geopolíticos globais. A viagem de Lula surge também num momento em que o Brasil procura reposicionar-se como ator relevante no cenário internacional, apostando num multilateralismo mais ativo e numa diversificação de alianças além do eixo tradicional com os Estados Unidos e a União Europeia.
A presença de Lula em Moscovo e Pequim sublinha ainda o interesse do governo brasileiro em reforçar a cooperação Sul-Sul e em aproveitar os canais diplomáticos com os países do BRICS para viabilizar projetos de desenvolvimento estruturante.
Com estas visitas, o presidente brasileiro procura consolidar uma agenda externa que alia simbolismo político, pragmatismo económico e ambição estratégica, reforçando os laços com dois dos principais parceiros da nova ordem multipolar em construção.














