O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou esta sexta-feira que está aberto a dialogar sobre uma ampla gama de temas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caso se concretize um encontro entre ambos. Entre os assuntos que pretende abordar estão as tarifas aplicadas sobre as exportações brasileiras e as tensões regionais com a Venezuela, segundo noticia a agência Reuters.
Em declarações aos jornalistas em Jacarta, antes de seguir viagem para a cimeira da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) na Malásia, Lula classificou como “altamente antecipada” a eventual reunião, que ainda não está confirmada. O presidente brasileiro planeia argumentar que as tarifas de 50% impostas por Washington sobre produtos brasileiros representam “um erro”, lembrando que os Estados Unidos acumularam um excedente comercial de 410 mil milhões de dólares com o Brasil ao longo dos últimos 15 anos.
“Não há temas proibidos”, afirmou Lula, acrescentando que está disposto a falar com Trump sobre “Gaza, Ucrânia, Rússia, Venezuela, matérias-primas críticas, terras raras — tudo”.
As tarifas, que foram elevadas de 10% para 50% em agosto, foram justificadas por Trump como resposta ao que descreveu como uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente condenado por tentativa de golpe de Estado. Lula aproveitou ainda para criticar as sanções norte-americanas impostas a autoridades brasileiras, incluindo o juiz do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, responsável pelo julgamento que conduziu à condenação de Bolsonaro.
Sobre a situação na Venezuela, Lula disse que está disposto a debater o tema diretamente com Trump, sublinhando a importância de respeitar o direito internacional e a soberania dos países, sobretudo após relatos de operações militares norte-americanas na região. “É preciso diálogo e respeito mútuo”, afirmou, reforçando a posição do Brasil como mediador diplomático na América Latina.
Apesar das declarações de Lula, a Casa Branca ainda não confirmou a realização do encontro, e o nome do líder brasileiro não consta da agenda divulgada sobre a viagem de Trump à Ásia. Mesmo assim, diplomatas brasileiros consideram que o eventual encontro poderá marcar uma nova fase nas relações bilaterais entre Brasília e Washington, atualmente tensas devido às sanções e divergências comerciais.














