A Lituânia está a ser assolada pela seca intensa que tem feito soar os alarmes – uma poeira tóxica tem percorrido as ruas da capital Vilnius, ao passo que o solo transformou-se em cinzas em algumas partes do país. A relva apresenta um tom amarelo queimado e as folhas de algumas árvores estão a começar a ficar castanhas.
“Eu realmente espero que esta seca seja um alerta”, garantiu um meteorologista, em declarações ao ‘Euronews Green’. Segundo a União dos Agricultores do país, até cerca de um terço das colheitas vão ser perdidas no país báltico, isto quando ainda está muito longe do fim do verão – há muitos meses de calor intenso pela frente, sendo que as autoridades já proibiram as visitas a algumas florestas na semana passada devido a riscos de incêndio.
Desde abril, choveu apenas algumas vezes, com o último aguaceiro em meados de maio, lembrou Gytis Valaika do Serviço Hidrometeorológico da Lituânia. A precipitação média para maio é tipicamente de 53 mm, mas este ano foi de apenas 16 mm (em alguns lugares, menos de 10 mm), explicou.
Espera-se que o menor rendimento das colheitas faça aumentar os preços dos alimentos e os mantenha altos durante o inverno, aumentando o risco de “mais problemas sociais”, acrescentou Valaika. A taxa de inflação na Lituânia é já uma das mais altas da Europa, tendo atingido 36% em novembro de 2022.
Mas a seca encerra outros problemas: o solo é tão seco em Vilnius que uma poeira contaminada com “partículas de carbono” e “microplásticos” está no ar. “Não é bom para a respiração, para os pulmões e para muitas coisas”, salientou a especialista. “Isto vai ficar cada vez pior.”
A primavera da Lituânia foi anómala: foram registadas muitas geadas e maio tornou-se um dos meses mais ensolarados da história, com mais de 60 horas de sol a mais do que o normal. Combinado com a seca, o clima teve um impacto “devastador” em algumas espécies animais. “Está a ficar cada vez mais difícil para elas sobreviverem. Muitas não se conseguem adaptar a este tipo de clima”, precisou.
As autoridades da Lituânia e da União Europeia estão a tomar medidas para combater o fenómeno, com emissões a caírem 10% entre 2005 e 2021, de acordo com o Serviço de Pesquisa do Parlamento Europeu. Mas Valaika afirmou que está longe de ser rápido o suficiente. “As pessoas em geral são bastante teimosas”, referiu. “Não queremos ver a verdade incómoda para não mudar a maneira como vivemos e realmente fazemos algo. Eu realmente espero que esta seca seja um alerta. Não sei o que mais poderia ser.”














