Um estudo publicado em outubro de 2023 na revista Chemosphere, que alertava para a possível presença de retardadores de chama tóxicos em utensílios de plástico negro, foi recentemente corrigido pelos próprios autores, após a deteção de um erro de cálculo significativo.
A investigação inicial sugeria que certos plásticos negros usados em utensílios de cozinha, brinquedos e embalagens de carne poderiam conter substâncias químicas potencialmente perigosas, provenientes do processo de reciclagem de equipamentos eletrónicos. No entanto, uma revisão publicada em dezembro revelou que os cientistas haviam calculado incorretamente o nível seguro de exposição ao retardador de chama BDE-209, sobrestimando o risco em cerca de dez vezes.
O estudo original indicava que os níveis de contaminantes presentes nesses utensílios eram tão elevados que quase atingiam o limite diário seguro para exposição humana, conforme estabelecido pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA). No entanto, após revisão, os investigadores reconheceram que o verdadeiro risco era significativamente menor, situando-se abaixo de uma décima parte do limite diário seguro.
Na correção publicada na Chemosphere, os autores explicaram que, apesar do erro, a sua investigação continua a destacar a necessidade de maior regulação no setor. “Este erro de cálculo não afeta a conclusão geral do artigo”, afirmaram. Acrescentaram ainda que “o nosso estudo e outros semelhantes deixam claro que são necessárias mais regulamentações para eliminar o uso de aditivos perigosos nos produtos e garantir que os substitutos sejam fabricados com materiais e substâncias químicas mais seguras”.
O plástico negro, frequentemente utilizado em utensílios de cozinha e embalagens, tem sido alvo de preocupação devido à possibilidade de conter substâncias tóxicas derivadas de produtos eletrónicos reciclados. Retardadores de chama, como o BDE-209, são amplamente utilizados na indústria para reduzir a inflamabilidade de equipamentos eletrónicos, mas o seu reaproveitamento em plásticos de uso diário pode representar riscos para a saúde.
Embora a revisão do estudo tenha reduzido a perceção imediata de perigo, a questão da segurança destes materiais continua a ser debatida. Especialistas defendem que são necessárias normas mais rigorosas para evitar a contaminação dos plásticos reciclados e garantir que os consumidores não sejam expostos a substâncias nocivas.













