Nos primeiros dez dias da atual legislatura, o Parlamento português registou três renúncias e 31 suspensões de mandato, perfazendo quase 35 mudanças desde o início do mandato, em junho. Os dados, recolhidos pelo jornal Público a partir do site oficial do Parlamento, mostram que estas alterações afetaram deputados dos grupos parlamentares do PSD, Chega, PS e CDS.
Entre os casos mais mediáticos estão as três renúncias imediatas. Pedro Reis, ex-ministro da Economia no primeiro Governo de Luís Montenegro, cessou funções parlamentares após a pasta da Economia ter sido assumida por Manuel Castro Almeida, que acumulou também a Coesão Territorial. Pedro Reis, cabeça de lista da Aliança Democrática (AD) por Castelo Branco, invocou motivos pessoais e foi substituído por Leonor Cipriano.
No PS, Fernando Araújo, cabeça de lista pelo Porto e ex-director executivo do Serviço Nacional de Saúde, renunciou ao mandato logo no primeiro dia da legislatura. Apesar de ter sido a escolha de Pedro Nuno Santos para liderar a pasta da Saúde, Araújo optou por manter o seu cargo na Unidade Local de Saúde de São João, sendo substituído por Sofia Andrade. Também no Chega, Francisco Lima cessou o mandato para se candidatar à presidência da Câmara Municipal da Praia da Vitória, nos Açores, tendo sido substituído por Ana Martins.
A maior parte das suspensões — 28 no total — deveu-se à integração de deputados no Governo, seja como ministros ou secretários de Estado, incluindo o primeiro-ministro, Luís Montenegro. Entre os casos destacados pelo Público estão Paulo Rangel, ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, que cedeu o lugar a Gonçalo Capitão, e Inês Domingos, secretária de Estado dos Assuntos Europeus, substituída por Bruno Faria no Parlamento pelo círculo de Viseu.
Existem ainda situações de suspensões motivadas por outras funções ou razões judiciais. Pelo Chega, Cristina Rodrigues foi substituída por Luísa Vaz durante um julgamento relacionado com o “apagão informático” de 2020, do qual acabou por ser absolvida. No PS, Emanuel Câmara (Madeira) e Jamila Madeira (Faro) suspenderam mandatos temporariamente, sendo substituídos por Sofia Canha e Luís Graça, respetivamente, enquanto desempenhavam funções autárquicas ou em entidades públicas.
Fora destas contas, alguns deputados não puderam assumir o mandato imediatamente devido à sua permanência no anterior executivo, regressando posteriormente ao Parlamento, como é o caso de José Cesário, ex-secretário de Estado para as Comunidades Portuguesas, e Cristina Vaz Tomé, ex-secretária de Estado da Gestão da Saúde. Este início de legislatura evidencia, segundo o Público, um período de elevada rotatividade e adaptações no Parlamento português.














