Legislativas: 25 dos 58 deputados do Chega já tiveram problemas com a Justiça ou o nome envolvido em polémicas

André Ventura, por exemplo, já foi condenado num processo civil e está sob investigação por suspeita de incitamento ao ódio e à violência. No entanto, os casos judiciais do Chega vão desde dívidas, afirmações polémicas, falsas presenças e até violação

Revista de Imprensa
Maio 20, 2025
9:09

O Chega de André Ventura elegeu 58 deputados para a Assembleia da República e aguarda os resultados de todos os círculos eleitorais para completar a bancada parlamentar. No entanto, o partido, na anterior legislatura, foi abalado por diversos casos judiciais, uma polémica que se poderá manter no novo ciclo político: de acordo com a ‘CNN Portugal’, 25 dos 58 deputados do Chega já se cruzaram, direta ou indiretamente, com a Justiça ou estiveram envolvidos em casos polémicos. André Ventura, por exemplo, já foi condenado num processo civil e está sob investigação por suspeita de incitamento ao ódio e à violência. No entanto, os casos judiciais do Chega vão desde dívidas, afirmações polémicas, falsas presenças e até violação.

Pedro Frazão, número 1 por Aveiro nestas legislativas, foi condenado por difamação agravada em 2022 pelo Tribunal de Cascais após uma queixa do ex-deputado do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, na sequência de uma publicação na rede social ‘X’ (entretanto apagada) sobre um alegado assédio a uma jovem por parte de “um indivíduo que faz parte do Bloco de Esquerda”: na publicação, escreveu ainda “já não há pureza no Bloco de Esquerda”. Foi condenado a apagar a publicação e a retificar a informação, sendo que o tribunal considerou que o que tinha sido escrito era “ilícito”, “ofensivo do direito à honra”.

António Peixoto, cabeça de lista por Braga, foi condenado pelo Tribunal de Braga a pagar dívidas de cerca de 80 mil euros na sequência de três processos de execução, de 2019 e 2020. Teve o nome publicado na Lista Pública de Execuções, e viu o seu vencimento de deputado penhorado por uma instituição de ensino. Foi também acusado de prestar falsas declarações a um juiz e de xenofobia, dentro do próprio partido, após visar uma militante brasileira Cibelli Pinheiro de Almeida, então presidente da Mesa da Assembleia Distrital.

Rodrigo Taxa regressou ao Parlamento nas últimas eleições, mas o seu nome surge referenciado no processo ‘Tutti-Frutti’.

Carlos Pinto, também eleito, líder da distrital de Braga do Chega, foi acusado por um autarca do Chega do norte de “terrorismo político” depois de se ter apoderado da conta do ‘Facebook’, apagando muitas publicações. Já João Filipe Ribeiro repetiu a presença no hemiciclo depois de ter tido uma empresa declarada insolvente pelo Tribunal de Castelo Branco, uma decisão conhecida em janeiro último, por dívidas a três entidades.

Pedro Pinto, número dois do Chega, secretário-geral e adjunto da direção nacional do partido, já teve o seu nome ligado a várias polémicas: a mais recente, as declarações sobre a morte de Odair Moniz, que levaram a PGR a abrir um processo que visa também André Ventura e um assessor do partido. O líder parlamentar do Chega referiu que se as forças de segurança “disparassem mais a matar, o país estava mais na ordem”, num programa da RTP.

Gabriel Mithá Ribeiro, cabeça de lista por Leiria e ex-militante do PSD, deixa um rasto de polémicas: depois de o seu nome ter sido rejeitado para a vice-presidência da Assembleia da República, considerou tratar-se “de uma questão racial”, apesar de acreditar que não existe racismo. “Pessoa negra e de direita é tratada como se trata os pretos”, afirmou.

Luís Fernandes, líder da distrital do Chega de Leiria e ex-autarca de Pedrógão Grande, foi acusado de ter feito desaparecer 236 certidões assinadas por familiares e amigos seus. Já Rui Paulo Sousa terá sido ouvido em tribunal por alegadamente ter falhado o pagamento da pensão de alimentos devida a um filho menor com deficiência. Pedro Pessanha Fernandes, quarto da lista por Lisboa, está sob investigação do Ministério Público por uma alegada denúncia de violação de uma jovem de 15 anos. Ricardo Blaufuks, número 5 por Lisboa, teve o nome na Lista Pública de Execuções por uma dívida de 14.835,51 euros. Bruno Nunes, também de Lisboa, já teve o nome referido numa alegada agressão, em 2022, a outro deputado do Chega numa reunião do grupo parlamentar. José Manuel Soares, 8º por Lisboa, por acusado de nepotismo pelo presidente de Câmara de Vila Franca de Xira e acusado de tentar agredir um deputado municipal do PSD.

Diogo Pacheco de Amorim é suspeito de ter pertencido à antiga organização terrorista MDLP (Movimento Democrático de Libertação de Portugal), constituída a 5 de maio de 1975, e é suspeito de ser responsável por vários atentados à bomba e ataques aos movimentos democráticos e seus militantes no pós-25 de Abril.

Maria Cristina Rodrigues está a ser investigada por dano depois de ter sido acusada de eliminar milhares de emails do PAN, em 2020; Marcus Vinícius dos Santos foi detido duas vezes nos EUA por imigração ilegal. Raúl Melo, 8º na lista do Porto, foi acusado em 2023 por outro militante do Chega (ex-candidato à liderança do partido) de o ameaçar fisicamente recorrendo às redes sociais.

Rita Matias, um dos rostos de maior destaque do Chega, é acusada de ter plagiado, em 2021, um discurso da Giorgia Meloni, primeira-ministra italiana, havendo referências também a plágio de palavras de Javier Milei, presidente da Argentina.

Ricardo Lopes Reis, ex-assessor do Chega e nº 6 por Setúbal, chega ao Parlamento apesar de estar a ser investigado, pela Procuradoria-Geral da República por incitamento ao ódio e violência, juntamente com Pedro Pinto e André Ventura. “Menos um criminoso… menos um eleitor do Bloco”, escreveu na rede social ‘X’, no caso da morte de Odair Moniz. Eduardo Gonçalves Teixeira, ainda como deputado do PSD, está a ser investigado em dois processos devido a falsas presenças na Assembleia da República, tal como Maria Manuela Tender, que esteve envolvida no escândalo das falsas presenças no Parlamento em 2018.

João Tilly, de Viseu, viu em 2024 ter visto aprovado o levantamento de imunidade parlamentar para responder num processo onde estava acusado de difamação. Fernanda Marques Lopes, antiga presidente do Conselho de Jurisdição do Chega, apresentou uma queixa e foi aberto um processo-crime.

A fechar a lista, os deputados dos círculos da Imigração, Europa e Fora da Europa: José Dias Fernandes, antes de se filiar no Chega, fez campanha pelo CDS-PP nas legislativas de 2019. Esteve ilegal em França durante muito tempo e chegou a ser expulso do país por duas vezes. Já confessou que ajudou muitos imigrantes ilegais neste país europeu. Já Manuel Magno Alves entregou o seu apartamento no Brasil, em São Paulo, para pagar uma dívida de cerca de 50 mil euros de uma empresa sua propriedade que fechou portas. A entrega foi feita após acordo judicial.

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