Justiça finlandesa profere hoje sentença sobre tripulantes do cargueiro Eagle S acusados de cortar cabos no mar Báltico

A justiça da Finlândia decide hoje o futuro de três tripulantes do cargueiro Eagle S, registado nas Ilhas Cook e operado por uma empresa de navegação sediada no Dubai. Os arguidos são acusados de terem provocado danos graves em infraestruturas críticas no mar Báltico, incluindo o cabo de energia submarino Estlink 2 — que liga a Finlândia à Estónia — e quatro cabos de telecomunicações, durante o dia de Natal de 2024.

Pedro Gonçalves
Outubro 3, 2025
7:30

A justiça da Finlândia decide hoje o futuro de três tripulantes do cargueiro Eagle S, registado nas Ilhas Cook e operado por uma empresa de navegação sediada no Dubai. Os arguidos são acusados de terem provocado danos graves em infraestruturas críticas no mar Báltico, incluindo o cabo de energia submarino Estlink 2 — que liga a Finlândia à Estónia — e quatro cabos de telecomunicações, durante o dia de Natal de 2024.

As autoridades finlandesas apontam o Eagle S como estando ligado à chamada “frota fantasma” russa, um conjunto de navios que transportam petróleo bruto e derivados de Moscovo contornando as sanções impostas pela União Europeia devido à guerra na Ucrânia.

Em janeiro, a Rádio e Televisão da Finlândia (Yle) noticiou que uma âncora associada ao navio tinha sido localizada no fundo do mar, a cerca de 80 metros de profundidade, com o auxílio de uma embarcação de resgate da marinha sueca.

“A âncora está agora na posse das autoridades finlandesas”, informou a Yle, citando a Polícia Criminal Finlandesa, responsável pela investigação.

A descoberta da âncora e os indícios recolhidos
O inspetor-chefe da Polícia Criminal Finlandesa, Risto Lohi, explicou que os primeiros exames realizados mostraram fortes indícios da ligação entre a âncora e os danos provocados.

“O facto de a âncora ter sido encontrada ao longo da rota do navio sugere que se trata da âncora deste navio específico”, afirmou Lohi à agência finlandesa STT.

As investigações têm incidido não só sobre a âncora e a sua corrente, que poderão ter estado na origem da destruição dos cabos, mas também sobre o estado técnico do Eagle S, a documentação da embarcação, as condições ambientais e a própria tripulação.

O incidente de dezembro afetou várias linhas críticas de comunicação e energia. Dois cabos pertenciam à operadora Elisa Oyj, que anunciou ter concluído as reparações em janeiro.

Já o Estlink 2, que assegura a interligação elétrica entre a Finlândia e a Estónia, permanece danificado. Outro dos cabos afetados, o C-Lion 1, que liga a Finlândia à Alemanha e é operado pela empresa Cinia, foi programado para reparação até 10 de janeiro de 2025.

A União Europeia classificou o caso como parte de uma “série de suspeitos ataques contra infraestruturas críticas” do espaço comunitário, sublinhando a gravidade da situação.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.