Julgamento do homicídio de Odair Moniz prossegue hoje no Tribunal de Sintra

O agente da PSP, que começou a carreira em 2022, está acusado do crime de homicídio e encontra-se, neste momento, suspenso de funções, por determinação da Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI)

Executive Digest
Fevereiro 11, 2026
8:00

Decorre esta tarde, a partir das 14 horas, no Tribunal de Sintra, o julgamento do agente da PSP acusado pelo homicídio de Odair Moniz, na Cova da Moura.

O agente da PSP, que começou a carreira em 2022, está acusado do crime de homicídio e encontra-se, neste momento, suspenso de funções, por determinação da Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI).

Odair Moniz morreu na Cova da Moura, vítima de dois tiros disparados pelo agente da PSP a 21 de outubro de 2024. Segundo a acusação, o cabo-verdiano de 43 anos residente no Bairro do Zambujal tentou fugir da PSP e resistir à detenção, mas não se verificou qualquer ameaça com recurso a arma branca, contrariando o comunicado oficial divulgado pela Direção Nacional da PSP, segundo o qual o homem teria “resistido à detenção” e tentado agredir os agentes “com recurso a arma branca”.

Segundo a acusação do Ministério Público, datada de 29 de janeiro de 2025, o homem cabo-verdiano foi atingido por dois projéteis – um primeiro na zona do tórax, disparado a entre 20 e 50 centímetros de distância, e um segundo na zona da virilha, disparado a entre 75 centímetros e um metro de distância.

Na última sessão do julgamento, os dois agentes da PSP que estiveram na Cova da Moura na madrugada em que Odair Moniz morreu com dois tiros disparados por um polícia apresentaram esta quarta-feira versões diferentes sobre a existência de uma faca no local.

O agente da PSP que fez manobras de reanimação a Odair Moniz disse hoje não ter visto qualquer faca, tal como disse durante os interrogatórios feitos durante a investigação e que constam no processo.

“Se estivesse, tinha retirado [faca]. Não ia deixar uma arma branca debaixo do corpo”, disse Tiago Martins durante a sessão de hoje que decorreu no Tribunal de Sintra.

O agente, que na altura da morte de Odair Moniz pertencia à divisão da Amadora, explicou também que, quando se aproximou do corpo, só viu uma entrada de bala, sem se aperceber que tinham sido disparados dois tiros, tendo depois chegado os elementos da Viatura Médica de Emergência Rápida (VMER).

O agente José Gouveia afirmou ter visto uma faca junto à bolsa de Odair Moniz, quando o corpo tinha sido já levado pelos elementos de emergência médica.

“O cidadão já não se encontrava no local quando visualizei a bolsa e a faca. Já tinha sido levado para a ambulância”, disse José Gouveia perante o coletivo presidido pela juíza Ana Sequeira, acrescentando não ter visto ninguém mexer na bolsa, uma vez que, durante o auxílio médico, este agente estava virado para outra rua e a ambulância tapava a sua visão.

Em relação ao sítio onde estaria a faca, o agente José Gouveia disse que a mesma estava perto do sítio onde estava o corpo de Odair Moniz.

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