Japão mobiliza forças militares após série de ataques de ursos que já fizeram 12 mortos

O Governo japonês ordenou o envio das Forças de Autodefesa (SDF) para várias regiões do país, na sequência de uma onda inédita de ataques de ursos que tem alarmado as populações e causado um número recorde de vítimas mortais. O mais recente ataque, ocorrido na semana passada, vitimou uma mulher de 79 anos na prefeitura de Akita, no nordeste do Japão.

Pedro Gonçalves
Novembro 5, 2025
17:49

O Governo japonês ordenou o envio das Forças de Autodefesa (SDF) para várias regiões do país, na sequência de uma onda inédita de ataques de ursos que tem alarmado as populações e causado um número recorde de vítimas mortais. O mais recente ataque, ocorrido na semana passada, vitimou uma mulher de 79 anos na prefeitura de Akita, no nordeste do Japão.

De acordo com o Ministério do Ambiente japonês, este foi o 12.º ataque fatal de 2025, o número mais elevado desde que começaram a ser registadas estatísticas oficiais, no início dos anos 2000. O aumento dos incidentes, muitos deles em zonas residenciais, reflete a crescente pressão da atividade humana sobre os habitats naturais dos ursos, que têm sido forçados a aproximar-se das áreas urbanas em busca de alimento.

A informação foi divulgada pela Newsweek, que contactou o Ministério do Ambiente do Japão para obter mais detalhes sobre as medidas em curso, mas não obteve resposta imediata.

O caso mais recente aconteceu a 27 de outubro, quando uma mulher de 79 anos foi encontrada morta perto da sua casa em Akita, na ilha de Honshu, com ferimentos graves no rosto, compatíveis com o ataque de um urso. Segundo dados do Ministério do Ambiente, desde abril registaram-se mais de 100 ataques de ursos em todo o país, dos quais 12 foram fatais — e dois terços ocorreram precisamente em Akita, conforme revelou a agência Reuters.

Perante o agravamento da situação, o ministro do Ambiente, Hirotaka Ishihara, anunciou na quinta-feira que o governo iria disponibilizar fundos adicionais para medidas de controlo e prevenção, incluindo o apoio a caçadores licenciados. “O Governo deve atuar de forma firme no combate aos ataques de ursos. Sinto uma grande sensação de urgência”, declarou Ishihara.

A situação levou o governador de Akita, Kenta Suzuki, a solicitar formalmente o apoio das Forças de Autodefesa japonesas. Um porta-voz do Ministério da Defesa confirmou, no dia 28 de outubro, que o pedido foi aceite.

Durante uma conferência de imprensa realizada na terça-feira, o ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, assegurou que a SDF “prestará apoio logístico e de transporte” à prefeitura de Akita e que “as preparações para o destacamento estão concluídas”.

“Não podemos caçar ursos ilimitadamente”, alerta ministro da Defesa
O ministro da Defesa sublinhou, contudo, que a intervenção militar tem caráter excecional e limitado. “A principal missão do Ministério da Defesa e das Forças de Autodefesa é a defesa nacional. E, embora não seja possível realizar operações de controlo de ursos sem limites, tendo em conta que o nosso dever é proteger as vidas e os meios de subsistência da população, e considerando a natureza excecional desta situação, decidimos fornecer apoio de transporte à prefeitura de Akita”, explicou.

Koizumi acrescentou ainda que as autoridades “continuarão a coordenar-se de forma estreita com os governos locais e municipais para implementar todas as medidas necessárias”.

De acordo com o especialista Jeffrey Hall, docente na Universidade de Estudos Internacionais de Kanda, em Chiba, o problema dos ursos tem também uma vertente económica. Numa publicação na rede X (antigo Twitter), Hall apontou que o governo japonês não está a pagar o suficiente aos caçadores para conter a expansão dos ataques.

“Um governo local paga aos caçadores o equivalente a 32 dólares por ano e 64 dólares por cada urso capturado ou abatido. Se forem destacados quatro caçadores, isso representa apenas 16 dólares por pessoa. Eles têm de pagar o combustível do próprio bolso”, escreveu.

O Japão é atualmente habitado por duas espécies de ursos: o urso-pardo de Ussuri, uma subespécie do urso-pardo eurasiático, restrito à ilha de Hokkaido, e o urso-negro asiático, de menor porte, que vive nas ilhas de Honshu e Shikoku.

Os especialistas apontam para as alterações climáticas, que reduzem as fontes naturais de alimento, e para o despovoamento das zonas rurais como fatores determinantes na recente escalada de encontros entre humanos e ursos. A diminuição do número de caçadores tem igualmente contribuído para o aumento da população destes animais, agora cada vez mais habituados à presença humana.

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