Já há responsável pelo caos tecnológico esta semana: a Amazon demitiu centenas de funcionários para substituí-los por IA

De acordo com especialistas do setor, a AWS controla dados de aproximadamente 76,8 milhões de sites em todo o mundo, incluindo cerca de 200 mil em Espanha, lembrou o site ‘El Economista’, o que explica a amplitude do impacto desta interrupção, que durou mais de quatro horas

Francisco Laranjeira
Outubro 24, 2025
15:23

Na última segunda-feira, uma falha massiva nos sistemas da Amazon Web Services (AWS) provocou uma interrupção global que afetou centenas de sites, plataformas e serviços, incluindo terminais de cartão de crédito e caixas eletrónicos. O incidente teve origem nas instalações da AWS na região norte da Virgínia, nos Estados Unidos, mas repercutiu-se mundialmente, especialmente na região US-EAST-1, responsável por milhões de clientes.

De acordo com especialistas do setor, a AWS controla dados de aproximadamente 76,8 milhões de sites em todo o mundo, incluindo cerca de 200 mil em Espanha, lembrou o site ‘El Economista’, o que explica a amplitude do impacto desta interrupção, que durou mais de quatro horas.

Origem da falha: Amazon DynamoDB e sistemas automatizados

A Amazon identificou o problema no serviço Amazon DynamoDB, um banco de dados sem servidor que permite aos clientes delegar à AWS a gestão de capacidade, backups, segurança e desempenho. Segundo a empresa, a interrupção foi causada por “um defeito latente no sistema automatizado de gestão de DNS [Sistema de Nomes de Domínio] do serviço”, que provocou uma série de falhas em cascata.

Especialistas destacam que, na prática, a falha decorreu de problemas de latência no sistema de Inteligência Artificial que gere a infraestrutura, tornando indisponíveis milhões de serviços que dependem da nuvem da AWS.

Cortes de pessoal e riscos da automatização

De acordo com a agência ‘Reuters’, a Amazon tomou recentemente a decisão de cortar centenas de empregos na unidade de computação em nuvem da AWS, afetando trabalhadores diretamente envolvidos na manutenção de sistemas críticos. A empresa admitiu que “o erro não foi corrigido automaticamente e exigiu intervenção manual do operador”.

A análise de especialistas sugere que, caso houvesse mais intervenção humana, a falha poderia ter sido evitada ou resolvida mais rapidamente. Este incidente evidencia os riscos associados à crescente dependência de agentes de Inteligência Artificial para escrever código, automatizar tarefas rotineiras e reduzir custos operacionais, especialmente quando se trata de infraestruturas essenciais a nível global.

Embora a automação e a IA tragam ganhos de eficiência, a interrupção da AWS demonstra que o fator humano continua indispensável na supervisão de sistemas críticos. Empresas de todo o mundo enfrentaram prejuízos temporários, desde interrupção de pagamentos até falhas em serviços online essenciais, reforçando a necessidade de equilibrar tecnologia avançada com monitorização humana.

Segundo analistas, este episódio deve servir como alerta para todas as empresas que dependem de serviços em nuvem automatizados: a tecnologia acelera processos, mas não substitui completamente o julgamento e a intervenção humanos em situações de crise.

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