O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, revelou ter chegado a um entendimento com a administração do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo o qual a passagem de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, não será reaberta enquanto o Hamas não entregar os restos mortais do último refém israelita ainda no enclave.
De acordo com uma informação divulgada pela KAN, a emissora pública israelita, Netanyahu acordou com Washington que a reabertura da principal ligação entre Gaza e o Egipto ficará dependente da entrega do corpo de Ran Gvili, o derradeiro refém cuja devolução permitiria concluir a primeira fase do plano de paz promovido pela administração Trump.
A passagem de Rafah é considerada um ponto vital para a entrada de ajuda humanitária em Gaza e para a saída de civis através do território egípcio. Milhões de palestinianos deslocados vivem actualmente sem abrigo adequado e com escassez grave de alimentos, medicamentos e outros bens essenciais, numa situação que se agravou com o inverno rigoroso, desde o início da guerra desencadeada pelo ataque do Hamas a Israel, a 7 de outubro de 2023.
Apesar da crescente pressão internacional, Israel mantém o lado de Gaza da passagem encerrado, invocando preocupações de segurança, nomeadamente o risco de contrabando de armas e o desvio de ajuda humanitária pelo Hamas. Durante o conflito, a circulação de pessoas e bens tem sido severamente limitada, mesmo nos breves períodos em que Rafah chegou a reabrir parcialmente.
A administração Trump tem instado Israel a reabrir a passagem para aliviar o sofrimento humanitário e, simultaneamente, preservar o apoio dos parceiros árabes ao plano de paz para Gaza, considerado essencial para a sua viabilidade política.
Entrega do corpo de Ran Gvili é condição para concluir primeira fase do plano
A devolução dos restos mortais de Ran Gvili permitiria concluir a primeira fase do plano apresentado por Washington. Gvili, um soldado israelita de 24 anos, foi morto enquanto tentava defender um kibutz durante o ataque de 7 de outubro, tendo o seu corpo sido levado para Gaza.
O Hamas alegou que as más condições meteorológicas e a destruição causada pela guerra dificultaram a localização e recuperação dos restos mortais. Israel, contudo, acusa o grupo palestiniano de adiar deliberadamente o processo, com o objectivo de ganhar tempo face às exigências de desarmamento previstas no plano norte-americano.
Netanyahu impõe prazo ao Hamas para decidir sobre o desarmamento
Segundo a KAN, Netanyahu irá também estabelecer um prazo para que o Hamas decida se aceita desarmar, um ponto central da segunda fase do plano de paz da administração Trump. Até ao momento, o grupo não se comprometeu com essa exigência.
Tanto Israel como os Estados Unidos afirmaram que, caso o Hamas não aceite desarmar-se voluntariamente, poderá ser forçado a fazê-lo. O plano estipula ainda que o Hamas não poderá desempenhar qualquer papel futuro na governação da Faixa de Gaza.
No final de dezembro, Netanyahu deslocou-se à Florida para se reunir com Donald Trump e outros responsáveis da Casa Branca, tendo as conversações incidido sobretudo sobre a situação em Gaza e o dossiê iraniano.
Numa declaração publicada a 4 de janeiro na plataforma Telegram, originalmente em hebraico, o primeiro-ministro israelita afirmou que Trump foi absolutamente claro quanto à exigência de desarmamento do Hamas. “Não há outra opção. Esta é uma condição essencial e fundamental para a implementação do seu plano de 20 pontos. Ele não fez quaisquer concessões e não demonstrou qualquer flexibilidade nesta matéria”, afirmou Netanyahu.














